Filme “Shirin”, do realizador iraniano Abbas Kiarostami, é homenagem à sétima arte

•agosto 28, 2008 • Deixe um comentário
Veneza, Itália, 28 Ago (Lusa) – O realizador iraniano Abbas Kiarostami apresentou hoje em Veneza, extra-concurso, a película “Shirin”, baseada num conto medieval e que é uma homenagem ao cinema “tecida” através dos rostos silenciosos de 113 actrizes.

Kiarostami, que em 1997 ganhou uma Palma de Ouro em Cannes descrevendo a vida através de quem não queria vivê-la, em “O sabor das cerejas”, fá-lo agora através de quem a representa: 112 actrizes iranianas e uma francesa, Juliette Binoche.

Sentadas numa sala de cinema, sem pronunciar uma palavra, as 113 mulheres “explodem” de emoção ante o contraste entre o seu raio de acção vital e as possibilidades infinitas que lhes revela a sétima arte.

“Sempre me fascinou o público, mesmo num jogo de futebol. Sem espectadores não há espectáculo. Entram no cinema juntos, mas vêem a película separados e cada um deles tem uma visão diferente na sua cabeça”, explicou o realizador.

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Patos em extinção

•agosto 28, 2008 • Deixe um comentário

Sabemos que uma era geológica mental está chegando ao fim quando a revista do “Zio Paperone” (Tio Patinhas) deixa de ser publicada na Itália, um de seus maiores santuários – mote para a contextualização assinada por Marcus Ramone no site Universo HQ:

Ainda é cedo para afirmar que Donald, Tio Patinhas, Pateta, Mickey e demais personagens clássicos cairão de vez no limbo, preteridos por criações contemporâneas da Disney – incluindo as egressas dos desenhos animados 3D. Mas o número de cancelamentos de suas revistas vem acontecendo em um ritmo muito maior do que se imagina.

Em Portugal e em quase toda a América Latina, outrora contumazes mercados consumidores dessa turma, os personagens já não são mais publicados.

E os exemplos continuam. Por muito tempo populares no Egito e em outros países do Oriente Médio, os gibis Disney retornaram àquela região em 2005, após dois anos fora de circulação. Mais de dez títulos foram lançados na época, dos quais apenas quatro conseguiram sobreviver aos novos cancelamentos (um deles, para o público feminino, mostra somente as aventuras de Branca de Neve, Aurora, Bela e outras – as Princesas, que vêm fazendo sucesso no mercado de licenciamento ao redor do mundo).

Quando a esses fatos são somados exemplos como o fim da produção brasileira – que já foi uma das mais prolíficas do planeta –, as sucessivas descontinuações desses gibis no Brasil e a publicação minguada nos Estados Unidos (dois únicos títulos regulares sobraram da última leva de cancelamentos) o resultado é desanimador.

Para quem aprendeu a ler – literalmente – com “O Pato Donald”, pedra fundamental do império Abril, nem se fala.

Por Sérgio Rodrigues

A Filha da Revolução disponível para download gratuito

•agosto 28, 2008 • Deixe um comentário

O livro reúne alguns dos textos que fizeram Reed ser considerado por contemporâneos o melhor escritor norte-americano da sua geração. Cada conto é um pequeno retrato de um período especialmente perturbado – o início do século XX. São histórias que se passam no México de Pancho Villa, em Paris durante a Primeira Guerra, na Rússia revolucionária e na Nova York que se transformava na capital do planeta. Mas em vez de falar dos grandes personagens, Reed se dedica aqui aos pequenos acontecimentos. Prostitutas, mercenários pés-de-chinelo, soldados, aventureiros desaventurados, mendigos orgulhosos e aristocratas humilhados.

O Autor
As crônicas de A Filha da Revolução antecederam o clássico Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, um marco na história do jornalismo. Considerado quase que o iniciador do jornalismo moderno nos EUA, John Reed morreu aos 33 anos, em 1920, como herói da Revolução Russa. Reed foi proibido de retornar aos EUA.

Os Dez Dias que Abalaram o Mundo virou filme nas mãos de Warren Beatty, que rendeu dois Oscar – Melhor direção (Warren Beatty) e Melhor Ator Coadjuvante (Jack Nicholson).

Faça o download aqui

Martin Luther King Jr.: o homem que sonhava demais

•agosto 28, 2008 • 1 Comentário

Por Maria Clara Lucchetti Bingemer

Há 40 anos, um tiro desfechado em Memphis, Tennessee (EUA), pretendia assassinar um sonho. Acertou apenas na vida biológica do homem que sonhava, mas seu sonho, qual vida des-governada e inebriada de fecundidade, explodiu em milhares e milhões de outros homens e mulheres que continuam sonhando o sonho que não morreu naquele dia.

A 4 de abril de 1968, o pastor batista de 39 anos preparava-se para uma marcha em favor dos direitos dos negros. Uma bala interrompeu sua vida, mas não seu sonho. Assim como sua vida desde muito jovem era movida pela força do sonho e alavancada pela u-topia que é o motor da história, assim também a bala assassina a atingiu, mas não a eliminou. O jovem Dr. Martin Luther King, sociólogo, doutor pela Universidade de Boston, incansável ativista político em prol dos direitos humanos, muito concretamente dos negros segregados de seu país, deixou de ser um personagem histórico para transformar-se num símbolo.

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O cinema no mundo convergente

•agosto 28, 2008 • Deixe um comentário
Anita Simis – Por Jonas Valente – Observatório do Direito à Comunicação
26.08.2008
A professora da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Anita Simis tem longa contribuição nos estudos acadêmicos da área de comunicação. Sua tese sobre Estado e cinema no Brasil fez profunda análise sobre o desenvolvimento da sétima arte no país e as razões que prejudicaram o florescimento de uma atividade cinematográfica brasilera estável e permanente ao longo do século XX. O trabalho se tornou uma referência e foi vencedor do Prêmio Itaú Cultural em 2007. A obra foi publicada em 1997 e ganhou um segundo volume este ano. Para a acadêmica, o cinema continua sendo importante na cadeia de valor do audiovisual, mas divide cada vez mais sua importância com as novas mídias.

Em sua pesquisa sobre a realidade do cinema, como tem visto o papel que este meio vem ocupando no novo cenário de convergência?
Quando penso no atual contexto de convergência, penso que o cinema, mais especificamente os filmes estão sendo exibidos em novos meios. Assim, além das salas de cinema, temos hoje a possibilidade de ver filmes na televisão aberta, na TV por assinatura, na TV junto com aparelhos de videocassestes ou de DVDs, nos computadores que possuem DVD ou que sejam ligados à Internet, e nos celulares. Com isto, há uma ampliação na maneira de ver filmes, mas que não significa necessariamente uma ampliação na diversidade do que é visto, pois a hegemonia na produção de audiovisuais ainda é da grande indústria norte-americana.

Como fica a posição do cinema na cadeia de valor do audiovisual hoje?
As salas de cinema ainda possuem uma grande importância nos lançamentos dos filmes, inclusive porque o sistema continua ainda hoje assentado sobre as cabeças de um lote de filmes. Ou seja, para se adquirir um blockbuster, o filme com grande lançamento, atores famosos, etc. o exibidor é obrigado a assumir ainda um lote de filmes menores. Mas, há também o fato de que esse blockbuster precisa jogar sua rede em um circuito globalizado e rapidamente puxar a rede com seus peixes. Quanto mais salas participarem desta rede, maior a possibilidade de arrecadar mais em pouco tempo. Nesta estrutura, a sala de cinema torna-se uma excelente alavanca, ou janela, para os outros meios da cadeia: DVD, TV por assinatura, TV aberta, etc. Mesmo assim, vemos experiências que tentam furar este modelo ao lançarem um filme primeiro na TV. Mas ainda são experiências.

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Adaptações de obras literárias precisam ser fiéis?

•agosto 28, 2008 • Deixe um comentário
Divulgação

''Não sou o roteirista. Fiz uma primeira versão do roteiro e, por não concordar com a segunda, pedi que tirassem o meu nome dos créditos''
Sobre o filme, Bortolloto declarou: ”Não sou o roteirista. Fiz uma primeira versão do roteiro e, por não concordar com a segunda, pedi que tirassem o meu nome dos créditos”

O longa ”Nossa Vida Não Cabe Num Opala ”, roteirizado a partir da peça do dramaturgo Mário Bortolotto, reacende uma antiga discussão: por que os escritores normalmente implicam com as adaptações de seus livros para o teatro ou cinema?

Por Sheyla Miranda

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Assista ao trailer de Nossa Vida não Cabe num Opala
Lourenço Mutarelli fala sobre O Cheiro do Ralo
Blog de Mário Bortolotto
Blog de Clarah Averbuck
Reportagem escrita por Clarah Averbuck para BRAVO!na edição de julho

Federico Fellini, um dos inconstestáveis mestres do cinema mundial, teria dito que para filmar um livro é preciso jogá-lo fora depois da leitura e filmar só o que ficou na memória. É mesmo uma opinião de roteirista-cineasta, porque autores de obras literárias costumam não aprovar adaptações que recriem demais a partir da história original.

Com o longa Nossa Vida não Cabe num Opala, roteirizado por Di Moretti e dirigido por Reinaldo Pinheiro, retomou-se a polêmica discussão sobre a validade – e a qualidade – de versões cinematográficas e teatrais de textos literários, sobretudo os brasileiros. O roteiro do filme foi escrito a partir da peça Nossa Vida não Vale um Chevrolet, de Mário Bortolotto.

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O Modesto Diagrama Universal da Arte

•agosto 27, 2008 • Deixe um comentário


Para ser mais ambicioso, só se invadisse o terreno do divino. O diagrama acima busca dividir em tribos e agrupá-las em relação a eixos definidos por pares de valores opostos todos os praticantes de todas as formas de arte que jamais existiram. Ridículo, não? No entanto, depois que se começa a brincar com a idéia, não dá vontade de parar.

Em nome da justiça é preciso esclarecer que o tal diagrama, atração de hoje no blog de livros do “Guardian” (em inglês, acesso gratuito), não se apresenta com a pompa sugerida no parágrafo acima. Foi bolado por Scott McCloud, um estudioso de histórias em quadrinhos, aparentemente em veia lúdica, como instrumento para animar palestras. Mas é impossível olhar para ele sem cair na tentação de catalogar o mundo.

Para melhor apreciar o brinquedo, convém saber que a tribo dos “animistas” é definida como a dos artistas intuitivos, mais ou menos naïfs, que não têm – ou fingem não ter – consciência dos filtros que se interpõem entre a matéria bruta que arrancam das entranhas e o produto final. Aparecem no diagrama como cultores do “conteúdo” não tanto por escolha, mas porque mal enxergam outros valores na arte. Majoritária entre artistas adolescentes, acrescento eu, essa tribo perde representatividade à medida que se avança na escadinha etária.

Quanto às outras três categorias – classicistas (que cultuam acima de tudo a beleza), formalistas (o estilo) e iconoclastas (a verdade) –, sua definição é mais ou menos essa mesmo que você está pensando. O esquema não traz novidade nenhuma, seu charme é a simplicidade.

Mais do que as quatro categorias, o que dá consistência ao jogo são os dois eixos de valores opostos que delimitam seus campos: Arte x Vida e Tradição x Revolução. Quase todas as velhas brigas que, eternamente recicladas, animam os quebra-paus artísticos cabem aí. (Talvez a dicotomia comercial x cult, tão atual, seja uma exceção; nesse diagrama os autores assumidamente comerciais só podem ser classificados entre os animistas, o que parece meio insuficiente.)

Dizer que uma taxonomia desse tipo é chapada e empobrecedora seria dizer o óbvio. Todas são. Mas são também um exercício viciante – basta ver o sucesso feito pela brincadeira maluca de Jayme Ovalle em torno de dantas, onésimos, mozarlescos etc. Desde que não se atribua ao diagrama de McCloud o papel de oráculo, acredito que ele possa ser esclarecedor também, dando maior nitidez a certas tensões que normalmente ficam difusas no debate estético.

Antes que se desencadeie a fúria classificatória, uma ressalva: nenhum artista digno desse nome cabe integralmente em apenas um dos grupos, eis a graça da coisa.

Por Sérgio Rodrigues