Miyazaki emociona com desenho animado no Festival de Veneza

‘Gake no Ue no Ponyo’ traz mensagem de ecologia e amizade.
Filme já é considerado um dos favoritos da competição.

Da EFE

Divulgação
Cena do desenho ‘Gake no Ue no Ponyo’ (‘Ponyo on the Cliff by the Sea’) (Foto: Divulgação)

O japonês Hayao Miyazaki conseguiu neste domingo (31), através de desenhos animados, contar uma história emocionante, algo que outros diretores que participam do Festival Internacional de Cinema de Veneza não souberam fazer com atores.

Miyazaki conseguiu o feito com “Gake no Ue no Ponyo” (“Ponyo on the Cliff by the Sea”), filme com o qual concorre ao Leão de Ouro.

O desenho se passa em uma cidade junto ao mar na qual um menino salva uma peixinha vermelha, chamada Ponyo. A amizade entre o menino, Sosuke, e o peixe cresce até o ponto de que Ponyo passa a querer se transformar em uma menina.

Essa trama é o pretexto com o qual Miyazaki fala, por exemplo, da relação entre o homem e a natureza, da necessidade do equilíbrio entre ambos e da amizade entre crianças e adultos.

Com seus desenhos, Miyazaki é capaz de tocar o coração do espectador, unindo o adulto com o seu passado, fazendo com que se lembre de suas brincadeiras, como o navio de brinquedo no qual sempre quis navegar, ou de seu amor pelos animais.

Miyazaki explicou em entrevista coletiva, após a exibição do filme, que, para atingir seu objetivo, tinha trabalhado manualmente, “porque o computador, ainda que seja bom, enfraquece a força da mensagem”.

O cineasta japonês já conseguiu, anteriormente, comover com suas histórias, como em “A Viagem de Chihiro”, que conquistou em 2002 o Urso de Ouro em Berlim e, em 2003, o Oscar de melhor filme de animação.

Mas o diretor não consegue enganar ninguém: “Gake no Ue no Ponyo”, que bateu recorde de bilheteria ao estrear no Japão, é um filme para crianças. Como sempre acontece com esse tipo de produção, que acaba por comover os adultos, Miyazaki, sem querer, questiona o grau de infantilidade da sociedade moderna.

Os críticos pareceram entender o seu valor, pois já declararam seu mais recente filme o melhor do festival até o momento.

Concorrência italiana

Com as exceções de Arriaga, Kitano e algum mais, poucos foram capazes de tocar o coração como Miyazaki e, às vezes, nem conseguiram contar uma história.

Isto não é o caso do diretor italiano Pupi Avati, que hoje apresentou “Il papá di Giovanna”, porque soube contar uma história, mesmo que tenha acabado caindo totalmente no sentimentalismo.

O filme retrata Giovanna (Alba Rohrwacher), filha de Michele (Silvio Orlando) e Delia (Francesca Neri), uma jovem adolescente com um desequilíbrio mental que mata a melhor amiga em Bolonha em 1938.

O filme, produzido pela Mediaset, empresa de Silvio Berlusconi, permite que Avati se aprofunde na relação entre pai e filha, enquanto tenta redimir, surpreendentemente, o fascismo.

Uma redenção igual a que ocorreu no sábado com outro filme italiano, “Un giorno perfetto”, de Ferzan Ozpetek, que continuará dando argumentos aos que criticaram o “excessivo patriotismo” desta 65ª edição da mostra cinematográfica.

O nacionalismo excessivo já deu problemas ao Festival de Veneza quando, na época do fascismo, foi proibida a exibição de filmes soviéticos e americanos.

Outro assunto que gera polêmica é o botox usado pelas atrizes italianas nos lábios, já que prejudica suas performances em filmes ambientados em épocas anteriores à explosão da cirurgia estética.

Não é exatamente esse o problema de Dominique Blanc, a atriz francesa que protagoniza “L’Autre”, de Patrick-Mario Bernard e Pierre Trividic, embora sua aparência envelhecida também torne difícil de acreditar que ela seja a amante de um homem muito mais jovem. No entanto, sua interpretação a colocou entre as candidatas à Copa Volpi. Blanc dá vida a Anne-Marie, uma mulher torturada que chega a trocar de identidade após terminar com o amante, interpretado pelo ator Cyril Gueï.

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~ por Rebeca Bartolote em setembro 1, 2008.

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