Paraguaçu põe humor nos trilhos!

•Setembro 1, 2008 • 1 Comentário

Saiu a lista dos premiados no IV Salão Internacional de Humor de Paraguaçu Paulista.
São seis categorias – os tradicionais cartum, charge, caricatura e tiras – além de uma categoria temática, ou seja, com um tema definido: trilhos de trem.
E, em homenagem ao centenário da imigração japonesa, a categoria Mangá.

A qualidade dos desenhos premiados é ótima. O tradicional Piracicaba – divulgando os seus vencedores amanha – vai ter que rebolar pra superar o nível deste salão relativamente novo.
Parabéns aos organizadores do evento!

O meu desenho favorito foi este do R. Maia:

A charge do Tarres, da Costa Rica, também é interessante
(de um tema d´outros anos mas que continua atual):

Há muita participação também dos europeus, com seu humor peculiar mas sempre bonito,
como no cartum do russo Semerenko:

Os vencedores podem ser vistos nesta galeria do BrazilCartoon.

Visite também o site do Salão de Paraguaçu.

1939: Programa nazista de extermínio

•Setembro 1, 2008 • 1 Comentário

No dia 1º de setembro de 1939, foi criado programa de extermínio pelos nazistas, que visava a eliminação de doentes incuráveis, idosos senis, deficientes físicos e doentes mentais.

Depois que a burocracia alemã do “Terceiro Reich” executou  as medidas de desapropriação e concentração dos judeus, o regime nazista chegou a um ponto crítico. Qualquer passo adiante significaria o fim a existência do judaísmo na Europa ocupada. No jargão nazista, a superação desse limite era descrito como a “solução final da questão dos judeus”.

Na verdade, a expressão “solução final” era um eufemismo para a palavra “morte”. O objetivo era matar todos os judeus e pessoas “não arianas”, que aos olhos dos algozes nazistas eram vidas “indignas de serem vividas”.

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Herança da geração de 68 é presente até hoje

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário

Durante oito semanas, as ruas de Paris foram tomadas por manifestantes. A cidade discutia, fazia greves, incendiava-se. Hoje, o debate gira em torno da herança dessa geração: o que sobrou de 1968?

Para o artista e jornalista Gilles de Staal, o legado dos revolucionários de 1968 tem um significado importante. Para o ex-membro da organização de esquerda Juventude Revolucionária Comunista, o dia 3 de maio de 1968, que marcou o início dos protestos na Sorbonne, começou como qualquer outro. Até que centenas de militantes de esquerda do subúrbio parisiense Nanterre – onde a universidade havia sido fechada – aparecessem.

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Alguma coisa está fora da ordem

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário
Por Bruno Medina

caetano-veloso1.jpgOntem de madrugada, no blog dedicado à sua “Obra em Progresso” , Caetano Veloso escreveu um post rebatendo críticas publicadas pelos dois principais jornais de São Paulo ao show (em homenagem a Tom Jobim e aos 50 anos da Bossa Nova) que fez na cidade, ao lado de Roberto Carlos, nesta última segunda. A declaração, como era esperado, repercutiu imediatamente, e a crítica da crítica acabou pautando uma outra rodada de matérias, para só então pousar neste blog, numa, por assim dizer, terceira onda a partir do epicentro deste episódio.

É possível que alguns leitores questionem, até com certa razão, o propósito de se escrever um texto destinado a comentar uma discussão de Caetano com a imprensa, até porque esta não é a primeira e nem será a última vez que algo semelhante acontece. Digo discussão ao invés de queixa, porque é assim que me parece. Desconfio que Caetano não pretenda simplesmente desabafar, dar o troco por terem pisado em seu calo ou reparar uma suposta injustiça dita a seu respeito, Caetano almeja algo muito mais ambicioso: promover uma mudança de postura da imprensa brasileira para com o artista.

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Festival do Rio anuncia seleção de filmes

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário

Dos 35 longas em exibição, 18 participarão da mostra competitiva.
Evento acontece entre os dias 25 de setembro e 9 de outubro.

Do G1, em São Paulo

Paula Huven/Divulgação
Leonardo Medeiros em cena do filme ”Feliz Natal’, que concorre no Festival do Rio.’ (Foto: Paula Huven/Divulgação)

O Festival do Rio, que acontece entre os dias 25 de setembro e 9 de outubro, divulgou a lista de mais de 35 filmes que serão exibidos no evento e concorrerão ao troféu “Redentor”. Ao todo, 18 participarão da mostra competitiva.

Além dos filmes que concorrerão no festival – nas categorias ficção e documentário – os organizadores criaram a mostra paralela “Cenas do Rio”, com longas que tem a cidade como tema.

Os filmes concorrerão nas categorias ficção, documentário, curta-metragem, direção, ator e atriz. Entre os prêmios especiais, estão a escolha do júri, do voto popular para longas de ficção e documentário.

Confira a lista completa:

Ficção (mostra competitiva)

“A festa da menina morta”, de Matheus Nachtergaele
“Apenas o fim”, de Matheus Souza
” Feliz natal”, de Selton Mello
“Juventude”, de Domingos Oliveira
“Rinha”, de Marcelo Galvão
“Se nada mais der certo”, de José Eduardo Belmonte
“Verônica”, de Maurício Farias
“Vingança”, de Paulo Pons

Documentário (mostra competitiva)
” Cantoras do rádio”, de Gil Baroni e Marcos Avellar
“Cinderelas, lobos e um príncipe encantado”, de Joel Zito Araújo
“Contratempo”, de Malu Mader e Mini Kerti
“Estrada real da cachaça”, de Pedro Urano
“Jards Macalé – um morcego na porta principal”, de Marco Abujamra e João Pimentel
” Loki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Fontenelle
“Morrinho – Deus sabe tudo mas não é X9″, de Fábio Gavião e Markão Oliveira
“Palavra (en)cantada”, de Helena Solberg
“Sentidos à flor da pele”, de Evaldo Mocarzel
” Titãs - a vida até parece uma festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves

Ficção
“A erva do rato”, de Julio Bressane
“Um romance de geração”, de David França Mendes
“Romance”, de Guel Arraes
“A guerra dos Rocha”, de Jorge Fernando
“Todo mundo tem problemas sexuais”, de Domingos Oliveira

Documentário
“O homem que engarrafava nuvens”, de Lírio Ferreira
“Pan-cinema permanente”, de Carlos Nader
“Garapa”, de José Padilha
“Simonal – ninguém sabe o duro que eu dei”, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal

Mostra Retratos

“A paixão segundo Callado”, de José Joffily
“Juruna, o espírito da floresta”, de Armando Lacerda
“Vida”, de Paula Gaitán
“Paulo Gracindo – o bem amado”, de Gracindo Junior
“Só dez por cento é mentira”, de Pedro Cézar

Mostra Cenas do Rio

“Corpo do Rio”, de Izabel Jaguaribe e Olivia Guimarães
“Favela on blast”, de Leandro HBL
“Abaixando a máquina”, de Guillermo Planel e Renato de Paula
“Eu sou povo”, de Bruno Bacellar, Luis Fernando Couto e Regina Rocha
“Praça Saens Peña”, de Vinicius Reis
“Novela na Santa Casa”, de Cathie Lévy

Miyazaki emociona com desenho animado no Festival de Veneza

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário

‘Gake no Ue no Ponyo’ traz mensagem de ecologia e amizade.
Filme já é considerado um dos favoritos da competição.

Da EFE

Divulgação
Cena do desenho ‘Gake no Ue no Ponyo’ (‘Ponyo on the Cliff by the Sea’) (Foto: Divulgação)

O japonês Hayao Miyazaki conseguiu neste domingo (31), através de desenhos animados, contar uma história emocionante, algo que outros diretores que participam do Festival Internacional de Cinema de Veneza não souberam fazer com atores.

Miyazaki conseguiu o feito com “Gake no Ue no Ponyo” (“Ponyo on the Cliff by the Sea”), filme com o qual concorre ao Leão de Ouro.

O desenho se passa em uma cidade junto ao mar na qual um menino salva uma peixinha vermelha, chamada Ponyo. A amizade entre o menino, Sosuke, e o peixe cresce até o ponto de que Ponyo passa a querer se transformar em uma menina.

Essa trama é o pretexto com o qual Miyazaki fala, por exemplo, da relação entre o homem e a natureza, da necessidade do equilíbrio entre ambos e da amizade entre crianças e adultos.

Com seus desenhos, Miyazaki é capaz de tocar o coração do espectador, unindo o adulto com o seu passado, fazendo com que se lembre de suas brincadeiras, como o navio de brinquedo no qual sempre quis navegar, ou de seu amor pelos animais.

Miyazaki explicou em entrevista coletiva, após a exibição do filme, que, para atingir seu objetivo, tinha trabalhado manualmente, “porque o computador, ainda que seja bom, enfraquece a força da mensagem”.

O cineasta japonês já conseguiu, anteriormente, comover com suas histórias, como em “A Viagem de Chihiro”, que conquistou em 2002 o Urso de Ouro em Berlim e, em 2003, o Oscar de melhor filme de animação.

Mas o diretor não consegue enganar ninguém: “Gake no Ue no Ponyo”, que bateu recorde de bilheteria ao estrear no Japão, é um filme para crianças. Como sempre acontece com esse tipo de produção, que acaba por comover os adultos, Miyazaki, sem querer, questiona o grau de infantilidade da sociedade moderna.

Os críticos pareceram entender o seu valor, pois já declararam seu mais recente filme o melhor do festival até o momento.

Concorrência italiana

Com as exceções de Arriaga, Kitano e algum mais, poucos foram capazes de tocar o coração como Miyazaki e, às vezes, nem conseguiram contar uma história.

Isto não é o caso do diretor italiano Pupi Avati, que hoje apresentou “Il papá di Giovanna”, porque soube contar uma história, mesmo que tenha acabado caindo totalmente no sentimentalismo.

O filme retrata Giovanna (Alba Rohrwacher), filha de Michele (Silvio Orlando) e Delia (Francesca Neri), uma jovem adolescente com um desequilíbrio mental que mata a melhor amiga em Bolonha em 1938.

O filme, produzido pela Mediaset, empresa de Silvio Berlusconi, permite que Avati se aprofunde na relação entre pai e filha, enquanto tenta redimir, surpreendentemente, o fascismo.

Uma redenção igual a que ocorreu no sábado com outro filme italiano, “Un giorno perfetto”, de Ferzan Ozpetek, que continuará dando argumentos aos que criticaram o “excessivo patriotismo” desta 65ª edição da mostra cinematográfica.

O nacionalismo excessivo já deu problemas ao Festival de Veneza quando, na época do fascismo, foi proibida a exibição de filmes soviéticos e americanos.

Outro assunto que gera polêmica é o botox usado pelas atrizes italianas nos lábios, já que prejudica suas performances em filmes ambientados em épocas anteriores à explosão da cirurgia estética.

Não é exatamente esse o problema de Dominique Blanc, a atriz francesa que protagoniza “L’Autre”, de Patrick-Mario Bernard e Pierre Trividic, embora sua aparência envelhecida também torne difícil de acreditar que ela seja a amante de um homem muito mais jovem. No entanto, sua interpretação a colocou entre as candidatas à Copa Volpi. Blanc dá vida a Anne-Marie, uma mulher torturada que chega a trocar de identidade após terminar com o amante, interpretado pelo ator Cyril Gueï.

Maria e a língua portuguesa

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário

Ouvimos, com freqüência, queixas sisudas no sentido de que a língua portuguesa está se estropiando no Brasil. Elas partem não só de dentro de nossas fronteiras como também de além-mar, onde o vírus do linguajar das novelas brasileiras estaria infeccionando a pureza do idioma.

As queixas têm certa procedência, quando não redundam em uma defesa disfarçada da petrificação da língua, pretensão aliás inútil diante de seu constante movimento, seja a longo prazo, seja diante de nossos olhos. Basta ler um texto de Ruy Barbosa para perceber a distância que medeia entre sua escrita e a dos dias que correm. É bom lembrar que Ruy morreu há pouco mais de 70 anos, espaço de tempo relativamente reduzido, quando se pensa em termos de grandes alterações da língua.

Na contínua renovação, há porém muitos descaminhos. Claro que o critério para estabelecer o que constitui descaminho é relativo e depende mesmo do gosto de cada um, até que a passagem dos anos se encarregue de distinguir as novas formas linguísticas dos modismos passageiros.

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Filme “Shirin”, do realizador iraniano Abbas Kiarostami, é homenagem à sétima arte

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário
Veneza, Itália, 28 Ago (Lusa) – O realizador iraniano Abbas Kiarostami apresentou hoje em Veneza, extra-concurso, a película “Shirin”, baseada num conto medieval e que é uma homenagem ao cinema “tecida” através dos rostos silenciosos de 113 actrizes.

Kiarostami, que em 1997 ganhou uma Palma de Ouro em Cannes descrevendo a vida através de quem não queria vivê-la, em “O sabor das cerejas”, fá-lo agora através de quem a representa: 112 actrizes iranianas e uma francesa, Juliette Binoche.

Sentadas numa sala de cinema, sem pronunciar uma palavra, as 113 mulheres “explodem” de emoção ante o contraste entre o seu raio de acção vital e as possibilidades infinitas que lhes revela a sétima arte.

“Sempre me fascinou o público, mesmo num jogo de futebol. Sem espectadores não há espectáculo. Entram no cinema juntos, mas vêem a película separados e cada um deles tem uma visão diferente na sua cabeça”, explicou o realizador.

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Patos em extinção

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário

Sabemos que uma era geológica mental está chegando ao fim quando a revista do “Zio Paperone” (Tio Patinhas) deixa de ser publicada na Itália, um de seus maiores santuários – mote para a contextualização assinada por Marcus Ramone no site Universo HQ:

Ainda é cedo para afirmar que Donald, Tio Patinhas, Pateta, Mickey e demais personagens clássicos cairão de vez no limbo, preteridos por criações contemporâneas da Disney – incluindo as egressas dos desenhos animados 3D. Mas o número de cancelamentos de suas revistas vem acontecendo em um ritmo muito maior do que se imagina.

Em Portugal e em quase toda a América Latina, outrora contumazes mercados consumidores dessa turma, os personagens já não são mais publicados.

E os exemplos continuam. Por muito tempo populares no Egito e em outros países do Oriente Médio, os gibis Disney retornaram àquela região em 2005, após dois anos fora de circulação. Mais de dez títulos foram lançados na época, dos quais apenas quatro conseguiram sobreviver aos novos cancelamentos (um deles, para o público feminino, mostra somente as aventuras de Branca de Neve, Aurora, Bela e outras – as Princesas, que vêm fazendo sucesso no mercado de licenciamento ao redor do mundo).

Quando a esses fatos são somados exemplos como o fim da produção brasileira – que já foi uma das mais prolíficas do planeta –, as sucessivas descontinuações desses gibis no Brasil e a publicação minguada nos Estados Unidos (dois únicos títulos regulares sobraram da última leva de cancelamentos) o resultado é desanimador.

Para quem aprendeu a ler – literalmente – com “O Pato Donald”, pedra fundamental do império Abril, nem se fala.

Por Sérgio Rodrigues

A Filha da Revolução disponível para download gratuito

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário

O livro reúne alguns dos textos que fizeram Reed ser considerado por contemporâneos o melhor escritor norte-americano da sua geração. Cada conto é um pequeno retrato de um período especialmente perturbado – o início do século XX. São histórias que se passam no México de Pancho Villa, em Paris durante a Primeira Guerra, na Rússia revolucionária e na Nova York que se transformava na capital do planeta. Mas em vez de falar dos grandes personagens, Reed se dedica aqui aos pequenos acontecimentos. Prostitutas, mercenários pés-de-chinelo, soldados, aventureiros desaventurados, mendigos orgulhosos e aristocratas humilhados.

O Autor
As crônicas de A Filha da Revolução antecederam o clássico Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, um marco na história do jornalismo. Considerado quase que o iniciador do jornalismo moderno nos EUA, John Reed morreu aos 33 anos, em 1920, como herói da Revolução Russa. Reed foi proibido de retornar aos EUA.

Os Dez Dias que Abalaram o Mundo virou filme nas mãos de Warren Beatty, que rendeu dois Oscar – Melhor direção (Warren Beatty) e Melhor Ator Coadjuvante (Jack Nicholson).

Faça o download aqui

Martin Luther King Jr.: o homem que sonhava demais

•Agosto 28, 2008 • 1 Comentário

Por Maria Clara Lucchetti Bingemer

Há 40 anos, um tiro desfechado em Memphis, Tennessee (EUA), pretendia assassinar um sonho. Acertou apenas na vida biológica do homem que sonhava, mas seu sonho, qual vida des-governada e inebriada de fecundidade, explodiu em milhares e milhões de outros homens e mulheres que continuam sonhando o sonho que não morreu naquele dia.

A 4 de abril de 1968, o pastor batista de 39 anos preparava-se para uma marcha em favor dos direitos dos negros. Uma bala interrompeu sua vida, mas não seu sonho. Assim como sua vida desde muito jovem era movida pela força do sonho e alavancada pela u-topia que é o motor da história, assim também a bala assassina a atingiu, mas não a eliminou. O jovem Dr. Martin Luther King, sociólogo, doutor pela Universidade de Boston, incansável ativista político em prol dos direitos humanos, muito concretamente dos negros segregados de seu país, deixou de ser um personagem histórico para transformar-se num símbolo.

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O cinema no mundo convergente

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário
Anita Simis – Por Jonas Valente – Observatório do Direito à Comunicação
26.08.2008
A professora da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Anita Simis tem longa contribuição nos estudos acadêmicos da área de comunicação. Sua tese sobre Estado e cinema no Brasil fez profunda análise sobre o desenvolvimento da sétima arte no país e as razões que prejudicaram o florescimento de uma atividade cinematográfica brasilera estável e permanente ao longo do século XX. O trabalho se tornou uma referência e foi vencedor do Prêmio Itaú Cultural em 2007. A obra foi publicada em 1997 e ganhou um segundo volume este ano. Para a acadêmica, o cinema continua sendo importante na cadeia de valor do audiovisual, mas divide cada vez mais sua importância com as novas mídias.

Em sua pesquisa sobre a realidade do cinema, como tem visto o papel que este meio vem ocupando no novo cenário de convergência?
Quando penso no atual contexto de convergência, penso que o cinema, mais especificamente os filmes estão sendo exibidos em novos meios. Assim, além das salas de cinema, temos hoje a possibilidade de ver filmes na televisão aberta, na TV por assinatura, na TV junto com aparelhos de videocassestes ou de DVDs, nos computadores que possuem DVD ou que sejam ligados à Internet, e nos celulares. Com isto, há uma ampliação na maneira de ver filmes, mas que não significa necessariamente uma ampliação na diversidade do que é visto, pois a hegemonia na produção de audiovisuais ainda é da grande indústria norte-americana.

Como fica a posição do cinema na cadeia de valor do audiovisual hoje?
As salas de cinema ainda possuem uma grande importância nos lançamentos dos filmes, inclusive porque o sistema continua ainda hoje assentado sobre as cabeças de um lote de filmes. Ou seja, para se adquirir um blockbuster, o filme com grande lançamento, atores famosos, etc. o exibidor é obrigado a assumir ainda um lote de filmes menores. Mas, há também o fato de que esse blockbuster precisa jogar sua rede em um circuito globalizado e rapidamente puxar a rede com seus peixes. Quanto mais salas participarem desta rede, maior a possibilidade de arrecadar mais em pouco tempo. Nesta estrutura, a sala de cinema torna-se uma excelente alavanca, ou janela, para os outros meios da cadeia: DVD, TV por assinatura, TV aberta, etc. Mesmo assim, vemos experiências que tentam furar este modelo ao lançarem um filme primeiro na TV. Mas ainda são experiências.

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Adaptações de obras literárias precisam ser fiéis?

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário
Divulgação

''Não sou o roteirista. Fiz uma primeira versão do roteiro e, por não concordar com a segunda, pedi que tirassem o meu nome dos créditos''
Sobre o filme, Bortolloto declarou: ”Não sou o roteirista. Fiz uma primeira versão do roteiro e, por não concordar com a segunda, pedi que tirassem o meu nome dos créditos”

O longa ”Nossa Vida Não Cabe Num Opala ”, roteirizado a partir da peça do dramaturgo Mário Bortolotto, reacende uma antiga discussão: por que os escritores normalmente implicam com as adaptações de seus livros para o teatro ou cinema?

Por Sheyla Miranda

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Assista ao trailer de Nossa Vida não Cabe num Opala
Lourenço Mutarelli fala sobre O Cheiro do Ralo
Blog de Mário Bortolotto
Blog de Clarah Averbuck
Reportagem escrita por Clarah Averbuck para BRAVO!na edição de julho

Federico Fellini, um dos inconstestáveis mestres do cinema mundial, teria dito que para filmar um livro é preciso jogá-lo fora depois da leitura e filmar só o que ficou na memória. É mesmo uma opinião de roteirista-cineasta, porque autores de obras literárias costumam não aprovar adaptações que recriem demais a partir da história original.

Com o longa Nossa Vida não Cabe num Opala, roteirizado por Di Moretti e dirigido por Reinaldo Pinheiro, retomou-se a polêmica discussão sobre a validade – e a qualidade – de versões cinematográficas e teatrais de textos literários, sobretudo os brasileiros. O roteiro do filme foi escrito a partir da peça Nossa Vida não Vale um Chevrolet, de Mário Bortolotto.

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O Modesto Diagrama Universal da Arte

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário


Para ser mais ambicioso, só se invadisse o terreno do divino. O diagrama acima busca dividir em tribos e agrupá-las em relação a eixos definidos por pares de valores opostos todos os praticantes de todas as formas de arte que jamais existiram. Ridículo, não? No entanto, depois que se começa a brincar com a idéia, não dá vontade de parar.

Em nome da justiça é preciso esclarecer que o tal diagrama, atração de hoje no blog de livros do “Guardian” (em inglês, acesso gratuito), não se apresenta com a pompa sugerida no parágrafo acima. Foi bolado por Scott McCloud, um estudioso de histórias em quadrinhos, aparentemente em veia lúdica, como instrumento para animar palestras. Mas é impossível olhar para ele sem cair na tentação de catalogar o mundo.

Para melhor apreciar o brinquedo, convém saber que a tribo dos “animistas” é definida como a dos artistas intuitivos, mais ou menos naïfs, que não têm – ou fingem não ter – consciência dos filtros que se interpõem entre a matéria bruta que arrancam das entranhas e o produto final. Aparecem no diagrama como cultores do “conteúdo” não tanto por escolha, mas porque mal enxergam outros valores na arte. Majoritária entre artistas adolescentes, acrescento eu, essa tribo perde representatividade à medida que se avança na escadinha etária.

Quanto às outras três categorias – classicistas (que cultuam acima de tudo a beleza), formalistas (o estilo) e iconoclastas (a verdade) –, sua definição é mais ou menos essa mesmo que você está pensando. O esquema não traz novidade nenhuma, seu charme é a simplicidade.

Mais do que as quatro categorias, o que dá consistência ao jogo são os dois eixos de valores opostos que delimitam seus campos: Arte x Vida e Tradição x Revolução. Quase todas as velhas brigas que, eternamente recicladas, animam os quebra-paus artísticos cabem aí. (Talvez a dicotomia comercial x cult, tão atual, seja uma exceção; nesse diagrama os autores assumidamente comerciais só podem ser classificados entre os animistas, o que parece meio insuficiente.)

Dizer que uma taxonomia desse tipo é chapada e empobrecedora seria dizer o óbvio. Todas são. Mas são também um exercício viciante – basta ver o sucesso feito pela brincadeira maluca de Jayme Ovalle em torno de dantas, onésimos, mozarlescos etc. Desde que não se atribua ao diagrama de McCloud o papel de oráculo, acredito que ele possa ser esclarecedor também, dando maior nitidez a certas tensões que normalmente ficam difusas no debate estético.

Antes que se desencadeie a fúria classificatória, uma ressalva: nenhum artista digno desse nome cabe integralmente em apenas um dos grupos, eis a graça da coisa.

Por Sérgio Rodrigues

Autores e editores numa boa notícia

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Por Deonísio da Silva

A mídia brasileira parece a serviço de meia dúzia de editoras, das quais noticia ainda assim poucos lançamentos, de alguns poucos autores. E tampouco se ocupa das verdadeiras questões que afligem aqueles que concebem o livro como figura solar desde o Renascimento, os habitantes da Galáxia Gutenberg, entre nós extremamente despovoada.

Ainda assim, o Brasil vive o esplendor de uma produção editorial impressionante. Por isso a estranheza é ainda maior quando a mídia não cobre palavras e ações que vêm alterando o mundo do livro no Brasil. Duas ou três notinhas aqui e ali sobre os mesmos editores e alguns de seus autores e o notório banimento da Bienal do Livro exemplificam o descaso geral.

Por isso, não é surpresa que a mídia tenha ignorado um pronunciamento que, pela importância e pertinência do tema, fez por merecer repercussão, entretanto abafada. Refiro-me ao discurso de Renata Farhat Borges, presidente da Liga Brasileira de Editores (LIBRE), no 7º Congresso Ibero Americano de Editores, cujo tema central foi “O Livro, a Leitura e a Construção da Cidadania”, em 13 de agosto de 2008. Aos interessados: a íntegra do pronunciamento está disponível aqui.

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Adeus Quarto Poder, agora você é Indústria !

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Um “criativo” da velha McCann Erikson carioca inventou, no início dos anos 1940, um slogan para o Repórter Esso, logo incorporado ao repertório de metáforas cotidianas: “testemunha ocular da História”. Ao longo de quase sete décadas ninguém percebeu a redundância: toda testemunha é ocular (as de oitiva, geralmente suspeitas). Apesar do pleonasmo, a expressão colou. Mais do que isso: não apenas o Repórter Esso, mas todos os jornalistas foram convertidos em testemunhas oculares da História.

Nos dias 18 e 10 de agosto, em São Paulo, testemunhamos um momento crucial na história do jornalismo pátrio quando, por vontade própria, o seu segmento mais poderoso resolveu praticar um haraquiri coletivo – deixou de ser serviço público para converter-se em indústria. E, como indústria, admitir sua inevitável e recorrente obsolescência.

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Crime contra a mulher

•Agosto 27, 2008 • 1 Comentário

Mayana Zatz

Geneticista e diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano (USP)
E-mail: mayanazatz.ciencia@gmail.com

Obrigar uma mulher a manter uma gestação de um feto anencefálico, contra a sua vontade, é um crime. E o pior de tudo. Contra a mulher pobre, indefesa que não pode impor a sua vontade. Isso porque, como a interrupção da gestação nesses casos é permitida e apoiada em todos os países do primeiro mundo, qualquer pessoa pode ir a um hospital nos Estados Unidos, Europa ou Ásia e ser atendida se essa for a sua vontade. Basta ter recursos. Aliás, nem precisa ir tão longe. Desde 2003, a Argentina permite a interrupção da gestação de fetos com deformações irreversíveis e incuráveis. Um precedente importante na América Latina. Além disso, a maioria desses centros conta com uma equipe treinada para dar todo o suporte e amparo que a mulher necessita em um momento difícil como esse.

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Palavras que não temos, realidades que não vemos

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Tingo

“Tingo”, de Adam Jacot de Boinod

Título original: Tingo

Editora: Conrad
ISBN: 8576162636
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 213
Acabamento: Brochura

Estamos no Ano Internacional das Línguas. Oportunidade para estudá-las. Para entender que acessamos a realidade por meio das palavras. São sempre limitadas, mas são o melhor caminho.

O inglês Adam Jacot de Boinod escreveu um “guia de viagens” lingüístico. Pelas palavras dos outros vemos outras realidades, outras paisagens, outros comportamentos, que talvez estejam aqui também, entre nós, invisíveis, porém. Invisíveis ainda porque ainda não temos, não tecemos as palavras certas. Em alemão, por exemplo, Technonomade é aquele que usa laptops e celulares na estrada, nos aeroportos, resolvendo questões profissionais sobre la marcha, como dizem os espanhóis. Já conhecemos esse “tecnômade”, mas não o reconhecemos sem um termo que o torne presente à nossa consciência.

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Rio de Janeiro tem novo festival de humor e concurso de desenho

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Por Marcelo Naranjo

Festival Internacional de Humor do Rio de JaneiroO Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro tem como objetivo a valorização e a divulgação dos artistas do desenho e do humor. O evento será produzido pela mesma equipe que fez o tradicional Salão Carioca nos anos de 2003 a 2007 e irá complementá-lo.

Dentro da programação do festival está um concurso/exposição diferenciado do Salão Carioca, voltado para os profissionais do traço que publicam na imprensa, buscando inclusive envolver os profissionais que já não participam mais dos salões habituais.

É o Prêmio Desenho de Imprensa, uma mostra apresentando o pessoal de imprensa (jornais, revistas, sites), os melhores chargistas, caricaturistas, cartunistas, mas também os desenhistas não propriamente humorísticos, como os ilustradores. Mais do que um salão de humor, será um concurso e uma exposição voltados para as artes gráficas.

As inscrições vão até 15 de setembro de 2008, nas categorias Caricatura, Ilustração e Desenho de Humor. O primeiro colocado em cada categoria receberá o valor de R$ 6,000,00 (seis mil reais) e o segundo colocado ganhará R$ 4.000,00 (quatro mil reais).

O evento terá em sua programação espetáculos musicais e teatrais de humor e apresentações de stand-up comedy, exposições, homenagens, mostras e muito mais.

O Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro será aberto ao público em 22 de outubro e irá até o dia 23 de novembro, no Centro Cultural dos Correios e no Museu Oi Futuro.

Para outras informações e para o regulamento completo, visite o site oficial e o blog do festival.

Noite de autógrafos com Fábio Moon e Gabriel Bá

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Por Marcelo Naranjo, sobre o press release

Nesta quarta-feira, 27 de agosto, os quadrinhistas Fábio Moon e Gabriel Bá, vencedores do Eisner Awards 2008 em três categorias, vão autografar a premiada antologia 5 e seus demais álbuns.

O local será a livraria carioca Dona Laura (Casa de Cultura Laura Alvim – Avenida Vieira Souto, 172 – Rio de Janeiro/RJ), a partir das 20h.

Cultura na FCRB

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Lançamento do livro ‘20 Anos da Constituição Cidadã de 1988′ e Sessão Cineclube

A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) promove dois eventos culturais gratuitos nos dias 28 e 30 de agosto. As apresentações acontecem na sala de cursos e no auditório da instituição, que é vinculada ao Ministério da Cultura, que fica na Rua São Clemente, 134 – Botafogo, no Rio de Janeiro.

Nesta quinta-feira (28), a FCRB e a editora Forense farão o lançamento do livro 20 anos da Constituição Cidadã de 1988 – Efetivação ou impasse institucional?, de diversos autores e coordenado pelo professor José Ribas Vieira, na sala de cursos. Durante o evento haverá uma mesa de debates com a presença de alguns autores.

A sessão Cineclube ABDeC de agosto apresenta no sábado (30), às 15h, no auditório, o filme Olhar estrangeiro, da cineasta Lúcia Murat. O documentário aborda os clichês e as fantasias que crescem pelo mundo afora sobre o Brasil. Baseado no livro O Brasil dos gringos, de Tunico Amâncio, o filme mostra a visão que o cinema mundial tem do país. Filmado na França, Suécia e Estados Unidos, o longa, por meio de entrevistas com os diretores, roteiristas e atores, desvenda os mecanismos que produzem esses clichês.

Saiba mais sobre a FCRB: www.casaruibarbosa.gov.br.

(Texto: Narla Aguiar, Comunicação Social/MinC)
(Fonte: Ascom/FCRB)

Festival de Veneza: interseção entre culturas

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Festival de Cinema de Veneza tem dois longas alemães na mostra principal. Na corrida pelo Leão de Ouro, há um bom número de longas italianos e asiáticos. Júri deste ano é presidido por Wim Wenders.

O Festival de Cinema de Veneza, que vai até o próximo 6 de setembro, é o mais antigo entre as grandes vitrines internacionais do cinema. O festival comemora este ano seu 65° aniversário, passando por uma dificuldade que já se arrasta há alguns anos: a de se afirmar entre os dois grandes concorrentes – Berlim e Cannes.

A suposta “falta de rosto” de Veneza nos últimos anos se dá em função de uma oscilação constante entre filmes de autor e blockbusters hollywoodianos. Um mal que vem acometendo cada vez mais os grandes festivais de cinema.

De tudo um pouco

Brad Pitt e Tilda Swinton em Veneza, na estréia de 'Burn after Reading'Brad Pitt e Tilda Swinton em Veneza, na estréia de ‘Burn after Reading’

O ano 2008 poderia ter sido de grande triunfo de Marco Müller: o diretor assinou com Veneza o contrato de mais longo prazo da história do festival. Ele deverá se manter à frente da mostra por mais quatro anos. Isso num momento em que o Estado italiano deu o aval para a construção de uma nova sede, um palazzo que deverá deixar os concorrentes Cannes e Berlim de queixo caído.

Ou seja, há tudo para que Veneza seja um sucesso: um pouco de Hollywood, uma colher de chá para o cinema europeu de autor, duas mostras competitivas e muitos filmes asiáticos, que não podem faltar numa mostra dirigida pelo sinólogo Marco Müller. E Burn after reading, dos irmãos Cohen, para abrir o festival com a presença das estrelas George Clooney, Brad Pitt, John Malcovich e Tilda Swinton.

Ecos da greve dos roteiristas

Mas nem tudo tem happy end em Veneza: a greve dos roteiristas nos EUA provocou atraso em várias produções norte-americanas, prejudicando a programação do festival, afirma Müller. Muitos desses “atrasados” irão parar certamente em Berlim, o próximo festival “classe A”, que transcorre em fevereiro de 2009.

Outra “peculiaridade” deste ano em Veneza está no alto número de contribuições italianas: uma conseqüência da intromissão da política do país na escolha dos filmes, afirmam as más línguas.

Cena de 'Jerichow', dirigido por Christian PetzoldCena de ‘Jerichow’, dirigido por Christian Petzold

Depois de quatro anos sem filmes alemães, Veneza exibe na competição deste ano Jerichow, de Christian Petzold, a história de um triângulo amoroso, passada no norte alemão. Também do veterano Werner Schroeter participa da mostra competitiva Nuit de chien, rodado na Alemanha, França e Portugal e falado em francês.

Bressane e Zé do Caixão

Entre os brasileiros presentes está A erva do rato, de Julio Bressane e Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins (Zé do Caixão). Além do curta Do visível ao invisível, rodado por ninguém menos que o cineasta português Manoel de Oliveira (hoje com 99 anos), em São Paulo.

Na mostra competitiva, há duas co-produções brasileiras, ambas com imagens feitas no país: BirdWatchers, do chileno Marco Bechis, e Plastic City, dirigido pelo chinês Yu Lik-wai sobre guerras entre bandos de criminosos, rodado em São Paulo com atores brasileiros e chineses.

A babel de idiomas e o grande número de co-produções internacionais marcam o festival deste ano: na tela fala-se árabe, mandarim, aramaico. E até chinês nas ruas de São Paulo. Isso, sem contar a incursão do diretor Barbet Schroeder (francês nascido no Irã e radicado nos EUA) por uma história de detetives que se passa no Japão. Interseções culturais que, sem dúvida, estão relacionadas à biografia do diretor Marco Müller.

“Um pé no Brasil”

filho de brasileira dirige um dos maiores festivais do mundoMarco Müller: filho de brasileira dirige um dos maiores festivais do mundo

Nascido em Roma em 1953, Müller é filho de pai suíço de língua italiana e mãe brasileira de origem ítalo-grega. Depois de estudar Antropologia na Itália, concluiu seu doutorado na China. No fim da década de 1970 e início da de 1980, trabalhou como pesquisador nas áreas de etnologia musical e antropologia visual. A partir de então, passou a se dedicar à crítica de cinema, tendo publicado diversos ensaios afins em periódicos italianos, franceses, holandeses e suíços.

Marco Müller é autor de diversas publicações sobre história do cinema na Itália, França e Espanha e de uma série de documentários sobre a sétima arte. Após dirigir os festivais de Roterdã e posteriormente Locarno por quase dez anos, ele assumiu a direção em Veneza. (js / sv)

“Hitler cego, Stalin aleijado”: fotomontagem política nos anos 30

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Museu Ludwig de Colônia expõe obras de John Heartfield, considerado pai da fotomontagem, e do dinamarquês Marinus, cuja identidade só foi revelada há poucos anos. Pela primeira vez, a obra de Marinus é vista na Alemanha.

Capa de Heartfield para revista 'AIZ', 1935Capa de Heartfield para revista ‘AIZ’, 1935

Enquanto o trabalho do artista gráfico alemão John Heartfield já é, há muito, conhecido do grande público, a identidade do dinamarquês Jacob Kjeldgaard só foi descoberta nos anos 70, quando se encontrou parte de seu acervo por acaso, num mercado de pulgas parisiense.

Com a exposição sobre fotomontagem política do início do século 20 – Hitler cego, Stalin aleijado – o Museu Ludwig de Colônia presta agora homenagem aos dois artistas críticos do regime de Hitler e mostra, pela primeira vez na Alemanha, na íntegra, a obra ainda existente do dinamarquês Marinus.

Instrumento de agitação de massa

embaixador americano não levou Hitler a sérioMarinus, 1940: embaixador americano não levou Hitler a sério

No espírito dadaísta, o pintor George Grosz e o artista gráfico John Heartfield inventaram a técnica de fotomontagem num dia de maio de 1916. Segundo o próprio Grosz, os artistas alemães não imaginavam, na época, as possibilidades que a técnica desenvolvida para escapar da censura ofereceria.

Com o passar do tempo, sua instrumentalização para a agitação de massa foi uma das correntes seguidas pela técnica que até hoje perdura. Neste contexto, o berlinense John Heartfield, aliás, Helmut Herzfeld, foi um dos seus principais representantes. Em protesto contra o nacionalismo germânico, Herzfeld anglicizou seu nome durante a Primeira Guerra.

Durantes as décadas de 1920 e 1930, o trabalho do comunista Heartfield inspirou a obra crítica e satírica de outros artistas gráficos, entre eles, o dinamarquês Jacob Kjeldgaard, que sob o pseudônimo de Marinus desenvolveu mais de 250 fotomontagens para a revista francesa Marianne, entre 1932 e 1940.

Hitler como pintor de paredes, Stalin como Mona Lisa e Franco na corda bamba. Com agudez visionária, Marinus e Heartfield satirizaram os acontecimentos da época, as pretensões bélicas nazistas e a passividade das potências ocidentais perante os fatos que estavam a acontecer.

Confisco, superposição, fragmentação e alegoria

Fotomontagem de Marinus repete motivo de Heartfield Fotomontagem de Marinus repete motivo de Heartfield

Os dadaístas inventaram a poesia simultânea, estática e puramente fonética. A fotomontagem pode então ser compreendida como a representação pictórica de sua atitude poética. Embora o engajamento político tenha sido declarado culpado pelo fim da fotomontagem como forma de expressão artística, a fotomontagem política continua sendo um dos principais motivos de sua existência. Sua produção é caracterizada pelo confisco, superposição, fragmentação e pela alegoria.

Neste contexto, a fotomontagem que deu título a exposição Hitler cego, Stalin aleijado se aproveita de uma obra do escultor Jean Turcan para ilustrar a parábola do cego e do aleijado: “Se um cego guia outro cego, eles cairão num buraco. Se um aleijado quer ajudar outro aleijado, eles não irão a lugar nenhum. Mas se um cego carrega um aleijado, então eles vão para frente.”

Na fotomontagem de 1940, Marinus mostrou um Stalin aleijado carregado por um Hitler cego e comentou, desta forma, o pacto de não-agressão assinado entre os dois ditadores. Em seus trabalhos, o perfeccionista Marinus fez referências constantes a conhecidas obras de arte: a ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner, obras de Da Vinci, Breughel, Delacroix, Rodin e a filmes como Ben Hur.

Membro do Partido Comunista Alemão

Capa de Heartfield para 'AIZ', 1935Capa de Heartfield para ‘AIZ’, 1935

Para exemplificar a influência que a obra de John Heartfield exerceu sobre a de Marinus, como também as semelhanças e diferenças temáticas dos trabalhos dos dois artistas, a segunda parte da exposição mostra diversas fotomontagens que Heartfield fez para a revista AIZ (Arbeiter Illustrierte Zeitung – Revista ilustrada do trabalhador).

A partir de 1930, Heartfield passou a trabalhar constantemente para a revista. Uma das mais famosas fotomontagens da época é “Milhões me apóiam” que mostra Hitler como marionete dos capitalistas industriais.

Heartfield tornou-se membro do Partido Comunista Alemão desde que este foi fundado, em 31 de dezembro de 1918. Trabalhou para a AIZ e também para a revista de Kurt Tucholsky, Deutschland, Deutschland über alles (Alemanha, Alemanha, acima de tudo).

Devido à perseguição nazista, exilou-se primeiramente na República Tcheca e, em 1938, fugiu para o Reino Unido. Em 1950, voltou à Alemanha, onde passou a viver na então República Democrática Alemã. Morreu em 1968, aos 76 anos de idade, na antiga Berlim Oriental.

Marinus e Heartfield

Marinus, fotomontagem ’O espirito do mal’, Paris 1940 Marinus, fotomontagem ’O espírito do mal’, Paris 1940

Principalmente nos trabalhos sobre o mesmo tema, a comparação entre Heartfield e Marinus torna-se interessante. Em Drahtseilakt (Na corda bamba), Heartfield mostra os protagonistas do Terceiro Reich Goebbels e Göring guiados por Hitler balançando na corda bamba, em frente a uma cortina com a suástica – ou seja, uma situação de perigo.

Embora Heartfield tenha feito grande exposição de sua obra em Paris, em 1935, não se pode provar que os dois artistas se conheceram pessoalmente. Sua obra influenciou certamente a de Marinus. Cinco anos mais tarde, por exemplo, Marinus tratou a mesma temática da “corda bamba”.

Os mesmos atores estão, no entanto, sobre uma corda quase arrebentada. Após a invasão da Polônia, Marinus retratou a queda do regime nazista como inevitável. No mesmo ano, Hitler ocupou Paris e fechou todas as revistas de orientação de esquerda.

Hitler deveria ter realizado sonho de pintor, fotomontagem de Marinus, 1939Hitler deveria ter realizado sonho de pintor, fotomontagem de Marinus, 1939

Enquanto o trabalho de Heartfield é mais condensado simbolicamente, apelando para a alegoria e se aproximando da técnica do cartaz, as fotomontagens de Marinus são mais complexas e mais cheias de referências. Outra importante diferença foi o fato de o comunista Heartfield nunca ter criticado ou satirizado Stalin em suas fotomontagens.

Marinus, por seu lado, não poupou ninguém. O fato de sempre ter trabalhado sob pseudônimo o livrou de ser deportado para um campo de concentração. Esquecido e doente, ele morreu na capital francesa em 1964. Aos esforços do historiador dinamarquês Gunner Byskov, que a partir dos anos 90, passou a pesquisar sobre a vida de Marinus, deve-se também a atual exposição.

A mostra Hitler cego, Stalin aleijado – Marinus e Heartfield – Fotomontagem Política dos anos de 1930 estará aberta até 19 de outubro de 2008 no Museu Ludwig em Colônia.

Por Carlos Albuquerque

Lançado o trailer de New York, I Love You

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

O trailer de New York, I Love You já foi lançado, mesmo com o filme ainda em pós-produção. Depois de Paris, je t’aime, uma ode apaixonada à Paris, feita por 22 diretores, e lançada em 2006, foi a vez da Big Apple chegar as telas.

New York, I Love You, no molde do filme que homenageou a capital francesa, traz diversos curtas sobre as regiões da cidade. Entre os 13 diretores estão nomes como Natalie Portman, Scarlett Johansson (em sua estréia na direção), Brett Ratner (Dragão Vermelho) e Randall Balsmeyer, responsável pelos efeitos visuais de Dead Man. Woody Allen, conhecido por fazer filmes sobre e em NY, ficou de fora do filme. Mas em 1989, junto com Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, o diretor já tinha homenageado sua cidade natal em Contos de Nova York.

O elenco de New York, I Love You vai da veterana Cloris Leachman (Butch Cassidy and the Sundance Kid) a Shia LeBouf (Transformers), passando por Orlando Bloom (Piratas do Caribe), Natalie Portman (Closer), Kevin Bacon (Sobre Meninos e Lobos), Ethan Hawke (Gattaca), Julie Christie (Fahrenheit 451) e James Caan (O Poderoso Chefão).

New York, I Love You estréia dia 13 de fevereiro de 2009, véspera de Dia dos Namorados nos Estados Unidos. O filme ainda não tem previsão para chegar ao Brasil.

Confira o trailer!

( fonte : osarmenios.com.br )

A volta do cronópio

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário
Por Luciano Trigo

cortazar.jpgA editora Civilização Brasileira acaba de lançar dois livros de Julio Cortázar, o escritor argentino: Último round e A volta ao dia em 80 mundos. Poucas experiências literárias me marcaram mais do que a primeira leitura dos contos de Cortázar, quando eu tinha 20 anos. Um livro me levou a outro, e não sosseguei enquanto não li todos, incluindo sua correspondência em três volumes e sua obra crítica. Guardo até hoje uma fita cassete com o próprio autor lendo, com sua voz grave, trechos de Rayuela (O jogo da amarelinha), o seu romance mais conhecido, sobre o cotidiano de um grupo de exilados latino-americanos em Paris. Rayuela ficou famoso por propor ao leitor mudar a ordem dos capítulos, a seu gosto, de forma a interferir diretamente na narrativa.

Alguns textos em espanhol dos dois livros agora lançados estão disponíveis na página oficial do escritor, www.juliocortazar.com.ar, como o intrigante e cômico “De la seriedad en los velorios”. Ambos foram publicados originalmente no final dos anos 60 e reúnem contos, crônicas, ensaios e poemas sobre os mais diversos assuntos, do jazz ao boxe, da literatura à política, numa espécie de miscelânea literária. Aliás, as edições originais de Último round e A volta ao dia em 80 mundos eram graficamente ambiciosas, com uma diagramação ousada e recortes nas páginas, além de uma grande variedade tipográfica, refletindo as idéias de colagem e de fragmentação propostas pelo autor. Infelizmente essa riqueza gráfica se perdeu, mas mesmo assim vale a pena conferir as edições brasileiras.

Cortázar andava meio esquecido, o que talvez tenha alguma relação com seu engajamento  numa causa perdida – a revolução de esquerda na América Latina – que de certa forma contaminou sua produção a partir do final dos anos 60. Um de seus textos engajados mais famosos está em Último round: “Situação do intelectual latino-americano”, em que Cortázar expõe o que entende ser seu compromisso como escritor. Particularmente, acho que seus textos mais ricos e inventivos são aqueles que se afastam da política: numa primeira etapa, os contos mais diretamente vinculados ao chamado realismo mágico – Fim de jogo, Bestiário, Todos os fogos o fogo, As armas secretas etc; e, mais tarde, os relatos mais intimistas de Alguém que anda por aí e Orientação dos gatos. Histórias de cronópios e de famas, com textos curtos sobre criaturas e adoravelmente ingênuas, é outra leitura fundamental para quem quiser conhecer sua obra.

Nada melhor do que não fazer nada

•Agosto 27, 2008 • 1 Comentário
Por Bruno Medina

homer-do-nothing-copy.jpgAo longo da história da civilização cientistas e filósofos tentaram sem sucesso defini-lo. Considerando a complexidade de sua natureza, a compreensão do conceito acerca de sua existência demanda uma imensa dose de abstração, visto que, em tese, ele nem existe. Em tempos de super-exposição à informação e do costume de se preencher a rotina com atribulações que não cabem nas horas de um só dia, me parece que este é um conceito fadado à extinção. Tá complicado? Vai piorar.

O nada. Oposição ao ser, entendeu? Não? Segundo um clube que tem conquistado cada vez mais adeptos, melhor do que entende-lo é vive-lo. Portanto não se espante caso num domingo de sol se depare com um enorme cubo branco (símbolo do movimento), cercado por um bando de gente deitada, sem fazer nada. Estes provavelmente são os praticantes do nadismo. Não se trata de doutrina, tampouco de religião. O Clube de Nadismo é tão somente uma organização que se opõe a exarcebação da produtividade e da eficiência que, nas últimas décadas, assumiram ares de vício.

O objetivo é simples: incentivar o costume de haver um momento do dia reservado a fazer coisa alguma. Não confunda com dormir, ler ou assistir TV, fazer nada é fazer nada mesmo, de preferência nem pensar! Talvez alguns de vocês possam até achar que o nadismo seja uma piada, ou algo equivalente a estes textos recheados de frases de auto-ajuda falsamente atribuídos à autores famosos, que se espalham através das insuportáveis correntes de e-mail. Garanto que não é.

O movimento já foi retratado por alguns veículos de imprensa, é só procurar por aí. Existe até um site dedicado ao tema, onde é possível obter dicas sobre como se tornar sócio, bem como as melhores maneiras de se atingir o status quo da prática oficial do não-fazer. Recomendo a visitação, pois praticantes não-iniciados podem encontrar impedimentos que os levem a desistir. Antes de escrever este post tentei fazer nada por alguns minutos. Até consegui parar por completo no meio do dia, no entanto tive especial dificuldade em manter a mente livre de pensamentos; o maior desafio foi afastar a intenção de não fazer nada.

Em seguida não pude deixar de notar como, se bem explorada, a instituição de um movimento como estes pode vir à calhar. Admiro-me, inclusive, do manifesto fundamental ter sido escrito há apenas dois anos, apesar do “fazer nada” ter sempre sido a verdadeira grande meta (mesmo que não se admita) da humanidade. Se bem que, frente aos padrões nadistas, redigir um manifesto soa como um trabalho hercúleo…

Bastaria apenas que algum maluco alegasse que o nadismo é uma religião para que sua prática fosse encarada pela sociedade com seriedade e apreensão. “Fazer nada” durante o horário de trabalho ou de estudo não seria alvo de repressão, devido ao receio de ser confundido com perseguição ideológica. Por motivos óbvios o número de adeptos se espalharia sem controle e, aos poucos, haveria a adesão de algumas celebridades.

Não tardaria para que alguma cura milagrosa fosse relacionada ao nada e, à partir de alguma insistência -uma lista de assinaturas que culminasse na elaboração de um projeto de lei, por exemplo- não seria impensável que em alguns anos se estabelecesse um feriado dedicado a pratica do nadismo. Já pensou? Agora me ocorre uma outra questão: seria para os nadistas Homer Simpson um profeta?

( Fonte : )

Não vale a pena fazer lançamentos no Festival de Veneza, diz ‘Variety’

•Agosto 27, 2008 • Deixe um comentário

Principal publicação sobre o mercado afirma que evento é muito caro.
Lançamento de ‘Desejo e reparação’ no ano passado custou US$ 1 milhão.

Da ANSA

Keira Knightley e Saoirse Ronan em ”Desejo e reparação” (Foto: Divulgação)

A Mostra Internacional de Cinema de Veneza é “muito cara” para os produtores norte-americanos e por isso não vale a pena fazer grandes lançamentos neste festival, argumenta Adam Dawtrey em um artigo publicado pela revista “Variety” sobre a entrada dos filmes de Hollywood no mercado europeu.

Segundo o texto, o alto custo para promover longas de autor nos festivais pode deixar o tapete vermelho vazio. Dentro dessa perspectiva, Veneza está “particularmente vulnerável, devido aos custos exorbitantes e da proximidade dos festivais de Toronto e Roma”.

“Veneza é ferozmente cara e isso é um fator para muitas distribuidoras e sociedades que se ocupam da venda internacional dos filmes”, disse Jonathan Rutter, assessor norte-americano. “As pessoas que adquirem títulos vão mais a Toronto, onde se encontram mais sessões paralelas e mais produtos.”

“Os hotéis de Veneza são obscenamente caros e não muito bons, custa uma fortuna alugar um espaço para fazer entrevistas, e o serviço é terrível. Depois, há os custos dos barcos, porque todas as grandes estrelas querem se hospedar no Cipriani (o hotel mais famoso de Veneza)”, continuou Rutter.

No artigo, Dawtrey cita o exemplo do filme “Desejo e reparação”, dirigido por Joe Wright e protagonizado por Keira Knightley. O lançamento do longa-metragem no Festival de Veneza do ano passado custou à Universal US$ 1 milhão, e o estúdio teria hesitado antes de lançar ”Burn after reading” (novo dos irmãos Coen) neste ano.

O novo trabalho de Keira Knightley, “The duchess”, foi cotado para participar da Mostra de Veneza, mas ele será exibido no Festival de Roma. “A nossa distribuidora italiana, BIM, preferia Roma a Veneza tanto por motivos de data (é melhor lançar um filme na Itália em outubro) e, depois, por causa de custos”, explicou François Ivernel da Pathé.

A exceção é o vice-presidente executivo de marketing da Sony Pictures, Sal Ladestro, que levou à Mostra de Veneza “Rachel getting married”, de Jonathan Demme. “Trouxemos no ano passado ‘Um jogo de vida e de morte’, que se saiu muito bem na Itália, França e Espanha, e acredito que o lançamento em Veneza fez muito bem para o filme”, disse Ladestro.

`Heterarquia´, que bicho é esse?

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário
A “heterarquia” , a nova palavra da moda na transição da imprensa para a era digital

Postado por Carlos Castilho

Não digitei errado não, é heterarquia mesmo, uma expressão que significa organização social descentralizada entre iguais. É o oposto da nossa conhecida hierarquia, um sistema centralizado e vertical, como nas redações jornalísticas convencionais em todo o mundo.

Pois bem, a heterarquia tornou-se a palavra da moda entre os pesquisadores e praticantes das novas modalidades de produção de notícias com a participação de leitores, ouvintes e espectadores.

Ela procura definir uma forma de trabalho coletivo onde não há um superior e nem uma agenda ou método imposto de cima para baixo, por meio de chefias hierarquizadas. No sistema heterárquico existe uma ordem, decidida pela maioria, ao contrário da anarquia, onde não existe ordem alguma.

Continue lendo ‘`Heterarquia´, que bicho é esse?’

Novo álbum dos Cure chama-se 4.13 Dream

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário

Banda divulga título do sucessor de The Cure e confirma lançamento dia 13 de Outubro.
O novo álbum dos Cure chama-se 4.13 Dream e é editado dia 13 de Outubro. A banda confirmou ontem o título e data da edição no seu site oficial, corrigindo a informação dada em Maio de que o registo sairia já no próximo mês.

Desde Maio, sempre ao dia 13, foram editados quatro singles, “The Only One”, “Freakshow”, “Sleep When I’m Dead” e “The Perfect Boy”, todos com lados B que, segundo a banda, não fazem parte do alinhamento ainda por confirmar.

O facto de o registo ser o décimo terceiro da discografia da banda, agora com quatro elementos, tem sido a explicação avançada para o número no título do álbum.

Vídeo de “The Only One”

Vídeo de “Freakshow”

Vídeo de “Sleep When I’m Dead”

Vídeo de “The Perfect Boy”

Notícia escrita por MFR

Antonioni su Antonioni: Veneza reverencia o mestre

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário

Enquanto os refletores esquentam para 65º Festival de Cinema de Veneza, três filmes de não-ficção foram adicionados a programação do evento, depois da divulgação da seleção oficial. Entre eles, Antonioni su Antonioni, de Carlo di Carlo.

O filme é construído em cima de entrevistas de Michelangelo Antonioni, um dos maiores gênios do cinema, que faleceu no ano passado aos 94 anos. No site oficial do Festival, foi divulgada a sinopse do documentário:

Carlo di Carlo
Antonioni su Antonioni

“A história de um Antonioni refletindo sua vida e seu trabalho metódico, colocando-se constantemente em jogo, pronto a defender com tenacidade e coragem suas escolhas, com um olhar sempre antecipado e vigilante sobre as mudanças do futuro. Um retrato de um Antonioni íntimo, por vezes, tímido e encabulado em frente aos microfones, um pouco severo, mas também disponível, amigável, gentil, irônico e espirituoso. Antonioni su Antonioni tenta descobrir e/ou redescobrir as palavras, pensamentos, argumentos do diretor através de suas participações em diversos programas televisivos. Um ano depois de ele nos deixar, ouvir sua voz novamente com o imutável sotaque Emiliano, é uma intensa emoção. Um testemunho raro do autor que apesar de raramente falar, nunca permitiu ser reticente, nem mesmo a si próprio”.

O Festival de Cinema de Veneza começa na próxima quarta-feira, 27 de agosto, e vai até 6 de setembro.

( fonte : osarmenios.com.br )

Coro Dos Contrários

•Agosto 25, 2008 • 1 Comentário
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Bem, não poderia ser diferente. A questão do aborto de anencéfalos — na verdade, do aborto ele próprio — divide opiniões. E talvez eu tenha publicado, não contei, mais opiniões contrárias à minha do que favoráveis. Acontece com mais freqüência do que se pensa, embora os tontons-maCUTs da reputação alheia digam que só publico as que concordam comigo. Não! O que não aceito é corrente e ocupação militante do espaço de comentários. Como recebo entre 1.500 e 2.500 por dia, preciso selecionar. E seleciono.

Sim, vetei mais de centena. Textos extremistas de ambos os lados, mas a tentação de silenciar o “outro”, no conjunto que recebi ao menos, é bem maior entre os defensores do aborto, de anencéfalos ou não. A razão é simples, e já abordei a questão no meu texto: eles se dizem do lado da “razão”. E, se estão do lado da razão, então estão certos. E, se estão certos, como é que há gente que ousa pensar o contrário? Não parece tudo coerente e lógico?

Interessante, em especial, é o argumento-determinação que proclama: “Se vocês têm uma religião, guardem-na para si”, como se tal dimensão da vida e da cultura devesse viver na clandestinidade. E notem que não me refiro a um choque de essencialidades entre a religiosidade e o racionalismo. No caso, estamos falando de uma religião que convive muito bem com o estado democrático. Não ocorre a estes indagar qual é a autoridade da Igreja Católica para fazer lista de desaparecidos, por exemplo. Mas acham que ela deve silenciar na questão do aborto porque diria respeito à sociedade leiga.

Um leitor chamado Márcio, está lá publicado, escreve no seu comentário, gentil e educado, o seguinte: “Vamos todos participar dos debates, mas com argumentos, com lógica, com aceitação de opiniões contrárias. Como julgar intolerante quem professa tolerância religiosa? Aí está um jogo de palavras”. Obrigado pela chance, Márcio.

1 – Os católicos (sempre eles!) não aceitam os argumentos das pessoas favoráveis ao aborto, é verdade. E o contrário? Acontece?
2 – Os contrários ao aborto podem, no máximo, dizer o que pensam. Responda, Márcio: os meios divulgadores de opinião são majoritariamente a favor ou contra o aborto?
3 – Aí você indaga: “Como julgar intolerante quem professa a tolerância religiosa”? É mesmo? Mas que tolerância? Os católicos não estão sendo chamados de obscurantistas justamente porque defendem a sua fé? Seremos tolerantes com os que têm religião desde que eles não se manifestem, é isso? Desde que vivam a sua religião cercados por muros, apartados da sociedade?

Ora, estou experimentando a coisa ao vivo e em cores. Leiam o texto que escrevi. De caso pensado, fui bastante suave, com uma contundência bem menor do que a habitual. Não obstante, a avalanche de xingamentos dos “civilizados” impressiona. E, quase invariavelmente, eivados de rancor anticatólico. Esses “iluministas” têm muito a aprender sobre preconceito. Não estranha que os jacobinos tenham transformado a eliminação física dos inimigos numa variante do humanismo…

Para encerrar, comento a observação de um leitor, publicada em um dos posts. Ele me dá uma lição e um pito: “A moral tem de acompanhar a evolução da ciência”. Afinal, considera, não há a previsão de aborto para anencéfalos na lei porque não dispúnhamos antes dos meios técnicos para identificá-los. Parece uma tese simpática. Então vou pensá-la à luz desse saudável progresso científico que se vislumbra na tese.

Pois é… Logo saberemos — alguma coisa já é possível hoje — as doenças genéticas a que os bebês estarão predispostos, eventuais doenças que colherão as crianças caso venham a nascer etc. A porta do aborto eugênico estará destrancada. Ao meu leitor, observo que a questão moral antecede o que possa haver aí de ciência. Para mim, a eugenia era condenável quando feita às cegas — e tanto pior se praticada quando já se pode enxergar um pouco mais.

A cegueira moral é ainda mais nefasta com o aporte da ciência, que é uma técnica.

Ah, sim: claro que posso estar errado. Mas parece que o que incomoda muita gente é o fato de haver quem, opondo-se ao aborto, possa, ainda assim, escrever o que pensa.

É, é um absurdo mesmo! Onde já se viu uma democracia que não é limitada pela última palavra da ciência a respeito, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

Brasil estréia na Mostra de Veneza com filme de Zé do Caixão

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário
“Encarnação do demônio”, de José Mojica Marins será exibido fora de competição.
Mostra italiana começa nesta quarta-feira (27); longa de terror estréia na sexta.

Divulgação

Divulgação
“Encarnação do demônio”, de José Mojica Marins, que fecha série do Zé do Caixão (Foto: Divulgação)


O Brasil participará da Mostra de Veneza com “Encarnação do Demônio”, filme de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que será exibido no dia 29 de agosto, na seção Fora de Competição.

Na seção Orizzonti, será exibido “A erva do rato”, de Julio Bressane e Rosa Dias, que é uma adaptação de dois contos de Machado de Assis e tem apenas dois personagens, Ele e Ela, interpretados por Selton Mello e Alessandra Negrini.

O cinema nacional também será representado na co-produção “Dangkou” (“Plastic City”), do cineasta chinês Yu Lik-wai.

Apesar da pujança do cinema latino-americano nos festivais internacionais e em Hollywood, a Mostra de Veneza reservou poucos convites nas seções não competitivas para ele na sua 65ª edição, com exceção da obra-prima de Guillermo Arriaga que está no concurso principal.

Na Mostra de Veneza deste ano, que acontece de 27 de agosto a 6 de setembro, o México, com a estréia de Arriaga concorrendo ao Leão de Ouro, será o país latino-americano com maior representação.

Cinema latino

Concorrem na seção Orizzonti os cineastas mexicanos Gerardo Naranjo, com “Voy a explotar”, e Eugenio Polgovsky, com “Los herederos”.

Suas linguagens cinematográficas estão longe do nível dos chamados “três amigos” do cinema mexicano – Guillermo del Toro, Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu, mas seus temas são comuns.

Naranjo retrata a viagem de dois adolescentes, e Polgovsky aborda a pobreza das zonas rurais de seu país através do trabalho de crianças no campo.

“Tierra y pan” é o título do quarto representante mexicano na programação da Mostra de Veneza, Carlos Armella, mas que concorre na seção Corto Cortissimo, com oito minutos de um filme sem diálogos dedicado aos instintos de sobrevivência diante da escassez.

A Argentina estará representada na seção paralela Giornate degli Autori com o filme “Una semana solos”, de Celina Murga, mas viverá um dia destacado quando Daniel Burman, diretor de “El abrazo partido” (2004) e “Derecho de familia” (2006), receber o prêmio Robert Bresson, entregue pelo Vaticano.

Fernando Meirelles lança ‘Ensaio sobre a cegueira’ e rejeita Hollywood

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário
Diretor brasileiro esclarece que o filme é uma co-produção entre Brasil, Japão e Canadá.
E afirma que, apesar de ter recebido propostas de Hollywood, prefere continuar recusando.

Débora Miranda Do G1, em São Paulo entre em contato


Fernando Meirelles participou nesta segunda-feira (25) de uma entrevista coletiva para a imprensa em São Paulo, parte do lançamento de “Ensaio sobre a cegueira”, seu mais novo filme, baseado no livro homônimo de José Saramago, que estréia em 12 de setembro. O diretor brasileiro estava acompanhado da atriz Alice Braga e da americana Julianne Moore, além de produtores e outros profissionais que participaram do longa.

Daigo Oliva/G1

Alice Braga, Fernando Meirelles e Julianne Moore, junto da equipe do filme, em ntrevista coletiva para a imprensa realizada nesta segunda-feira (25) (Foto: Daigo Oliva/G1)


Na primeira oportunidade que teve de falar, Meirelles fez questão de esclarecer: “Li algumas reportagens afirmando que o filme é uma produção hollywoodiana, e não é. É uma co-produção entre Canadá, Japão e Brasil.” Na seqüência, o diretor ainda completou que “O jardineiro fiel” foi uma produção independente e que, apesar de já ter recebido convites para trabalhar em Hollywood, pretende “continuar não aceitando”.

“Ensaio sobre a cegueira” conta a história de uma epidemia de cegueira que domina a população de uma cidade não-identificada, causando caos, tumulto e violência. Como a princípio acredita-se que a cegueira é contagiosa, os doentes são trancafiados em um sanatório, onde precisam aprender a sobreviver e superar as limitações, não apenas de não enxergar, mas também com o racionamento de comida.

Daigo Oliva/G1

Daigo Oliva/G1
A atriz Julianne Moore, em São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)

Julianne Moore interpreta a única mulher que ainda consegue ver. Esposa de um médico oftalmologista (Mark Ruffallo), ela se faz passar por cega para acompanhar o marido na “internação”. “Estou muito empolgada em ter participado do filme. Faria qualquer coisa que o Fernando me pedisse”, disse a atriz que declarou não apenas sua admiração pelo cineasta, mas também pelo Brasil. “Fiquei encantada pelo país quando viemos filmar, agora voltei de férias com meus filhos.”

Moore disse que o estilo realista dos filmes de Fernando Meirelles a interessava muito. “Você não vê atuações, vê as pessoas. Isso é muito particular no estilo dele fazer cinema.” A atriz falou também a respeito da obra de Saramago. “Quando li o roteiro, fiquei muito impressionada com a linguagem. Procurei o livro e me deparei com aquele estilo fabuloso do Saramago, sofisticado, lúcido.”

Alice Braga, que tem Meirelles como seu padrinho pelo trabalho em “Cidade de Deus”, também afirmou se sentir honrada em participar do longa e disse que depositou total confiança no cineasta. “Esse filme, para mim, foi um projeto especial. Um reencontro com o Fernando, amigo querido e especial. Além disso, esse é um dos meus livros preferidos”, afirmou.

Quarto de badulaques (VI)

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário

Por Rubem Alves

– Política: Uma aliança política que jamais aconteceria em outros tempos arrancou das cavernas da minha memória uma piadinha do Reader’s Digest de que me havia esquecido. É assim. Havia, numa cidadezinha dos Estados Unidos, uma Igreja Batista que se gabava do seu rigor no combate às bebidas alcoólicas, sacramentos do Inferno. Havia, nessa mesma cidade, uma cervejaria enorme que fabricava milhares de litros de cerveja e era fonte de empregos, de riqueza, de alegrias e bebedeiras. Claro que a dita Igreja Batista tinha, como missão, combater a Cervejaria: era a luta do Santo Guerreiro contra o Dragão da Maldade. Aconteceu, entretanto, que por razões inexplicáveis, a Cervejaria fez uma doação de 500.000 dólares à Igreja. O que provocou uma enorme confusão entre os fiéis. “Dinheiro do Demônio“, diziam os mais convictos; “Não pode ser aceito.“ Se fosse uma doação de 100 dólares a decisão seria fácil. Os 100 dólares seriam recusados. Mas 500.000 dólares é quantia difícil de ser recusada. Confesso que eu mesmo estremeceria… Convocou-se, então, uma assembléia para deliberar sobre o assunto. Nas Igrejas Batistas as bases são sempre consultadas antes de se tomar qualquer decisão.

Continue lendo ‘Quarto de badulaques (VI)’

Incêndio, sanção, protestos…

•Agosto 25, 2008 • Deixe um comentário

Por Clóvis Marques

Semana intensa no arraial musical, começando com o trágico incêndio do Teatro Cultura Artística, em São Paulo.

Segunda-feira. Muito triste mesmo: o Teatro Cultura Artística destruído por um incêndio. São tão raras no Brasil as instituições duradouras e sólidas no terreno da música clássica! A Sociedade de Cultura Artística foi fundada em São Paulo em 1912! O que tem feito pela irradiação não só da música, mas do teatro e das artes em geral, já é história. Hoje ela é conhecida dos melômanos por promover as melhores temporadas de concertos internacionais do país. Logo que soube da notícia me solidarizei com Gerard e Camila Perret.

“Recomeçar, não: continuar”, diz-me ele pelo telefone. Da construção, obra de Rino Levi inaugurada em 1950 num concerto em que Villa-Lobos e Camargo Guarnieri regiam obras suas, restou pouco mais que a fachada, com o enorme painel de Di Cavalcanti intacto. Foram-se, entre outras coisas, três pianos Steinway e um cravo. O teatro será reconstruído. Apoio está vindo de todos os lados, inclusive com a criação de um grupo de trabalho no âmbito da prefeitura. Se Deus e Santa Cecília quiserem, a nova sede estará de pé no centenário da Sociedade de  Artística — quem sabe (a gente é sempre tão exigente!) com uma acústica um pouco menos seca…

Terça-feira. Minha leitura do noticiário segue ritmos próprios. Só hoje fico sabendo, pelo sites VivaMúsica! e Concerto, que o presidente da República sancionou semana passada a lei, aprovada no Congresso, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas. Temos acompanhado aqui a questão — inclusive com as entrevistas recentes da professora Enny Parejo e do maestro Nicolau Martins de Oliveira.

Voltaremos ao assunto. Por enquanto, é registrar que no ato da sanção foi vetado o artigo que previa que o ensino fosse ministrado por professores especializados em música. É um debate quente entre os que estão encaminhando a questão: didatas ou músicos para transmitir aos pequenos o gosto e o valor da música? Parece que continuaríamos com os didatas de “educação artística” que já atuam nas escolas, inclusive na área da música. Será suficiente? Será bom? A questão poderá evoluir de uma forma que contemple as diferentes necessidades deste país imenso e múltiplo?

Quarta-feira. A Orquestra Filarmônica de Liège veio ao Brasil há exatos dez anos e ficou devendo, no Municipal do Rio, uma Sinfonia de César Franck que chegou a ser programada e anunciada, mas na hora H seria substituída. Regia ainda o diretor musical que mais tempo esteve à frente do conjunto: Pierre Bartholomée. Desta vez, na temporada da mesma Dell’Arte, e já agora com Pascal Rophé regendo (há dois anos na orquestra), tivemos enfim a oportunidade de ouvir essa obra-prima estranha e envolvente na “voz” da orquestra “do pedaço” onde nasceu o compositor.

A Sinfonia de Franck é uma história de expectativa assombrada e seriedade antiga querendo desembocar em exultação mística ou erótica, mas adiando, adiando… Oscilamos entre a tristeza funda e a jubilação, não raro estrondosa. Uma alma de crente e de hedonista nos fala em música de orquestração carregada, sonoridades muito fin de siècle e um gosto pelos instrumentos de sopro (organisticamente usados muitas vezes) que deu aos liegenses de Rophé a oportunidade de mostrar um som ainda próprio da tradição — por exemplo, na entrada do oboé sobre cordas pinçadas e harpa no início do segundo movimento, todo ele construído com uma lógica exemplar. Rophé conferiu ao conjunto uma exaltação e um frescor bem distantes do bolor que a gravidade da música pode induzir

Sexta-feira. Repercute no Globo a insatisfação dos corpos artísticos do Teatro Municipal do Rio com os planos do governo do estado para a casa e com a presença escassa do diretor artístico, Roberto Minczuk. Os músicos, o coro e o corpo de baile consideram que a transformação das fundações culturais estaduais em Organizações Sociais seria uma “privatização” do teatro e temem que seus corpos artísticos sejam “condenados à extinção”, sendo “contratados [novos profissionais] sem concurso público e subordinados a um processo de rotatividade que pode gerar conseqüências insanáveis para a cultura estadual”.

Converso longamente por telefone com responsáveis pelo coro e o corpo de baile, mas não dá para chegar a uma conclusão. Espero voltar ao assunto. Resumindo, os profissionais insistem em que os problemas do Municipal (a mediocridade aflitiva de suas temporadas há lustros, para não dizer décadas) se devem a gestão deficiente e falta de verbas (as últimas verbas oficiais que poderiam ser consideradas muito de longe decentes, para as produções artísticas, datam do início da década); mas acham que mudar para o arcabouço da organização social, que “desengessaria” o sistema, permitindo mais autonomia decisória (em relação à burocracia e às ingerências políticas) e na captação de recursos, não configura nenhuma certeza. Citam, por exemplo, o fato de que o orçamento de 2006 da Osesp — exemplo de O.S. citado com freqüência, por seu êxito — foi preenchido em 89% pelo governo do estado de São Paulo.

Mas fica claro também que os profissionais estão preocupados com a perda da estabilidade no emprego. Não seria a qualidade do seu trabalho que fica “engessada” com essa estabilidade? Quanto ao maestro Minczuk, o que a mim causa espécie é o fato de ele mesmo e a direção do Teatro Municipal não terem vindo a público até agora dizer ao respeitável público quantas semanas ou meses ele passará por ano fazendo música com os profissionais da casa cuja direção artística assumiu. As resposta evasivas até agora parecem indicar que Minczuk e Carla Camurati consideram que ele está no Municipal para “dirigir artisticamente”, sem necessariamente realizar um trabalho de fundo com a orquestra, como maestro. Faz sentido?

Veja aqui a programação completa para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Oscar 2009

•Agosto 21, 2008 • 1 Comentário

MinC abre inscrições para seleção de filmes de longa-metragem

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual (SAv/MinC), informa que estão abertas as inscrições, de 21 de agosto a 8 de setembro de 2008, para a seleção de filmes de longa-metragem aptos a concorrer ao prêmio de melhor filme em língua estrangeira na 81ª Premiação Anual promovida pela Academy of Motion Pictures Arts and Sciences – Oscar 2009.

A partir das indicações feitas por mais de 90 países, os organizadores da premiação nos Estados Unidos selecionarão cinco filmes que concorrerão na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Uma Comissão de Seleção, organizada pelo Ministério da Cultura, composta por seis profissionais da área audiovisual, escolherá o filme brasileiro a ser indicado pelo Brasil. O nome da produção escolhida será divulgada no dia 16 de setembro. Os indicados ao Oscar serão anunciados em 22 de janeiro do próximo ano. A premiação do Oscar acontece em março de 2009.

Requisitos

Para entrar na seleção, os filmes devem ter sido lançados no país entre 1º de outubro de 2007 e 30 de setembro de 2008, exibidos por sete dias consecutivos em salas comerciais e realizados em 35mm, 70mm ou em formato digital de exibição comercial (veja aqui os requisitos mínimos para produções digitais). As produções de longa-metragem necessitam também ter tido sua primeira exibição comercial em salas de cinema.

Serão admitidas inscrições por Sedex desde que sejam recebidas pelo MinC até o dia 8 de setembro. Interessados deverão apresentar o Requerimento de Inscrição com oito cópias do filme, em DVD e/ou VHS, por meio postal ou das 8h às 18h, no seguinte endereço:

Oscar 2009
Ministério da Cultura
Secretaria do Audiovisual
Esplanada dos Ministérios – Bloco B – 2º andar
CEP 70068-900
Brasília – DF

Os filmes que tiverem sua exibição comercial agendada para datas entre 8 de setembro e 1º de outubro estão aptos a inscrever-se normalmente, desde que consigam, depois, comprovar os sete dias de presença em sala comercial.

Veja aqui a Portaria 50, publicada no Diário Oficial da União em 21 de agosto.

Informações: audiovisual@minc.gov.br ou (61) 3316-2088.

(Secretaria do Audiovisual/MinC)

O Amor e a Vida

•Agosto 21, 2008 • 1 Comentário

O amor é uma imagem da nossa vida. Tanto o primeiro como a segunda estão sujeitos às mesmas revoluções e mudanças. A sua juventude é resplandecente, alegre e cheia de esperanças porque somos felizes por ser jovens tal como somos felizes por amar. Este agradabilíssimo estado leva-nos a procurar outros bens muito sólidos. Não nos contentamos nessa fase da vida com o facto de susbsistirmos, queremos progredir, ocupamo-nos com os meios para nos aperfeiçoarmos e para assegurar a nossa boa sorte. Procuramos a protecção dos ministros, mostrando-nos solícitos e não aguentamos que outrem queira o mesmo que temos em vista. Este estímulo cumula-nos de mil trabalhos e esforços que logo se apagam quando alcançamos o desejado. Todas as nossas paixões ficam então satisfeitas e nem por sombras podemos imaginar que a nossa felicidade tenha fim.

No entanto, esta felicidade raramente dura muito e fatiga-se da graça da novidade. Para possuirmos o que desejámos não paramos de desejar mais e mais. Habituamo-nos ao que temos, mas os mesmos haveres não conservam o seu preço, como nem sempre nos tocam do mesmo modo. Mudamos imperceptivelmente sem disso nos apercebermos. O que já adquirimos torna-se parte de nós mesmos e sofreríamos muito com a sua perda, mas já não somos sensíveis ao prazer de conservar o adquirido. A alegria já não é viva, procuramos noutro lado que não naquele que tanto desejámos. Esta inconstância involuntária acontece com o tempo que, sem querermos, não perdoa: mexe no nosso amor e na nossa vida. Apaga sub-repticiamente dia-a-dia algo da nossa juventude e da nossa alegria, destruindo os nossos maiores encantos. Tornamo-nos mais circunspectos e juntamos negócios às paixões. O amor já não subsiste por si mesmo, indo alimentar-se de ajudas exteriores. Este estádio do amor corresponde àquela idade em que começamos a ver por onde devemos acabar com ele, mas não temos a força para acabar directamente. No declínio, no amor como no da vida, ninguém quer resolver-se a evitar a maneira de prevenir os desgostos que ainda estão por vir; ainda se vive para aceitar os males futuros, mas não para os rpazeres. Os ciúmes, a desconfiança, o medo de nos tornarmos maçadores e o medo que nos abandonem são males ligados à velhice do amor, tal como as doenças se agarram à demasiado longa duração da vida. Nesta idade, sentimo-nos viver, porque sentimos que estamos doentes, como só sabemos que estamos apaixonados quando sentimos as penas do amor. Só se sai do adormecimento das relações demasiado longas pelo enfado e pelo desgosto de ainda nos vermos agarrados. Enfim, de todas as decrepitudes, a do amor é a mais insuportável.

La Rochefoucauld, em ‘Reflexões’

O Poderoso Chefão volta aos cinemas

•Agosto 21, 2008 • Deixe um comentário


Os dois primeiros filmes da saga da família Corleone foram restaurados e serão lançados em setembro, durante o Gotham Film Festival, em Nova York antes de ganhar estréia nos cinemas dos Estados Unidos.

O trabalho de restauração foi feito por Richard A Harris, sob a supervisão de Francis Ford Coppola, o diretor da consagrada trilogia. Harris, que já havia trabalhado na restauração de Lawrence da Arábia, disse que o trabalho de recuperar os filmes ficou ainda mais difícil, porque graças a alta demanda de cópias os negativos originais saíram prejudicados. Segundo ele, o estado dos rolos originais de O Poderoso Chefão foi o pior que ele já encontrou em filmes modernos.

( fonte : osarmenios.com.br )

Editora Ática lança O Alienista em quadrinhos

•Agosto 21, 2008 • 2 Comentários

Por Marcelo Naranjo e Sidney Gusman

O AlienistaNo fim do século XVIII, Simão Bacamarte, influente médico da pequena Itaguaí, resolve entender – e curar – a loucura. Para tanto, constrói um hospício para internar todos os supostos malucos da cidade.

Só que ele não prevê a confusão que isso vai ocasionar: a cidade é revirada pelo avesso, a população se revolta, as autoridades não se entendem e uma batalha violenta ganha as ruas.

Este é o enredo de O Alienista, um dos mais famosos e representativos textos de Machado de Assis, publicado em 1882. Nele, o escritor faz uma crítica corrosiva e irônica à sociedade cientificista de sua época e ao despotismo absoluto daqueles que detém o poder.

A editora Ática adapta O Alienista (formato 19 x 26 cm, 72 páginas, R$ 21,90) para os quadrinhos, com roteiro de Luiz Antonio Aguiar e desenhos de César Lobo. As detalhadas ilustrações, inclusive, foram feitas mediante pesquisas históricas e iconográficas, enquanto o roteiro procura se aproximar ao máximo do original.

No final da narrativa, um apêndice que revela curiosidades sobre a época em que o texto original foi escrito e os “bastidores” da adaptação.

A obra faz parte da coleção Clássicos Brasileiros em HQ, que pretende, pela arte dos quadrinhos, apresentar grandes clássicos da literatura brasileira. As edições contam com aparatos explicativos e suplemento de trabalho para o professor.

O próximo volume desta coleção será O Guarani, adaptação do clássico de Carlos Gomes, que ainda não tem roteirista e desenhista definidos.

O Alienista acabou se tornando a obra literária brasileira mais adaptada para os quadrinhos nas últimas décadas. Publicaram suas versões a Agir, por Fábio Moon; a Companhia Editora Nacional, por Laílson de Holanda Cavalcanti; e a Escala Educacional, por Francisco S. Vilachã.

Deixadinha

•Agosto 20, 2008 • 1 Comentário

Quando João começou a namorar Letícia, todo mundo apostava numa relação de um mês ou dois, três no máximo. Ficava por aí a média dele. Galinha famoso na rede do Leblon que ambos freqüentavam, João era medíocre no vôlei de praia, mas compensava a insuficiência atlética com uma condição de semicelebridade artística – advinda de sua inclusão numa antologia de jovens contistas, quatro anos antes – para ir ampliando um currículo amoroso que beirava o lendário.

Letícia, nova e inexperiente, jogava o fino na areia, com um talento especial para as deixadinhas, mas a verdade é que tinha tudo para ser só mais uma naquele placar.

O jogo começou a virar quando, surpreendendo o pessoal da praia, Letícia passou a bater bola com João no campo dele. Nos e-mails que trocavam diariamente, a menina, quem diria, se revelou talentosa também com as palavras.

João, que preferia namorar atletas justamente por se saber indefeso diante de intelectuais, acusou o golpe. Ponto a ponto, seu bloqueio foi virando uma peneira. O terceiro mês de namoro passou, veio o quarto. O quinto.

O sexto já ia pelo meio quando, ao pé de uma mensagem despretensiosa em que Letícia contava ter dormido mal na noite anterior, João leu o seguinte:

O problema é que na janela do meu quarto há um defeito na cortina. Ela não corre e não se fecha portanto. Então a lua cheia entra toda e vem fosforescer de silêncios o quarto: é horrível.

Essa última frase acertou a cabeça de João com o efeito de uma bolada à queima-roupa. Ainda atordoado, ele releu:

Então a lua cheia entra toda e vem fosforescer de silêncios o quarto: é horrível.

Com uma mistura de dor e delícia nunca antes sentida, João foi obrigado a admitir o óbvio: aquilo era melhor do que qualquer coisa que ele já tivesse escrito ou pudesse um dia escrever. Tamanha condensação de beleza e horror na mesma frase, tão seco drible na expectativa do leitor…

…é horrível.

Em poucos minutos, sua vida inteira estava traçada. Pediu Letícia em casamento na mesma noite. Ela aceitou.

Nunca deixaram de freqüentar a rede do Leblon onde se conheceram, nem durante a gravidez nem depois que Joãozinho nasceu e Letícia era obrigada a interromper o jogo a todo momento para dar de mamar.

O casamento parece ir muito bem, e hoje todo mundo na praia aposta que vai durar para sempre. Letícia doou a uma escola pública do bairro seu exemplar de Água viva, e de qualquer maneira, como ela tinha suspeitado desde o início, João nunca foi um grande leitor de Clarice.

enviada por Sérgio Rodrigues

A 25ª fita de Hitchcock e Truffaut

•Agosto 20, 2008 • Deixe um comentário

por Rodrigo Carreiro

Um conhecido ditado costuma dizer que um livro não pode mudar o mundo, mas pode mudar as pessoas – e estas mudam o mundo. A obra-prima “Hitchcock/Truffaut – Entrevistas” talvez seja o melhor exemplo dessa situação aparentemente improvável. A história do livro comprova isso. A obra resultou de um projeto, organizado pelo cineasta e crítico francês François Truffaut, com a intenção de provar ao mundo do cinema que o inglês Alfred Hitchcock era o maior cineasta do planeta. Truffaut conseguiu.

“Hitchcock/Truffaut” ganha relançamento de luxo no Brasil. Editado por aqui em 1985, em uma edição da Brasiliense, logo esgotou nas livrarias. Tornou-se artigo raro mesmo em sebo de livros, pela importância história para os amantes da Sétima Arte. “Hitchcock/Truffaut” desfruta do status de um dos melhores tomos sobre cinema jamais escritos. Talvez por isso, a Companhia das Letras caprichou no lançamento. O livro é ricamente ilustrado com mais de 100 fotografias, possui projeto gráfico impecável e uma tradução inteiramente nova. Trata-se de um tesouro para cinéfilos e obra obrigatória para quem tem um interesse maior do que o trivial sobre filmes.

A história do livro é curiosa. Truffaut lançava o filme “Jules e Jim” nos EUA, em 1962, quando percebeu que sempre era questionado, nas entrevistas, a respeito da sua paixão pelos filmes de Hitchcock. Para o francês era claro como água: Hitchcock dominava os componentes do filme (roteiro, direção, cenários, figurinos, música, efeitos especiais, luz, fotografia, montagem) melhor do que qualquer outro cineasta no ramo. Pelo fato de fazer filmes de suspense, no entanto, era desprezado pelos críticos dos EUA, que consideravam o estilo algo menor. Aí surgiu a idéia: por que não escrever um livro, com base em um longo depoimento do mestre do suspense, que curasse a miopia cinematográfica dos descrentes?

Truffaut escreveu a Hitchcock e expôs o plano. Queria que o diretor inglês arrumasse tempo para lhe responder a um questionário sistemático de 500 perguntas. Hitchcock, emocionado com o interesse, fez melhor: chamou Truffaut a Los Angeles e reservou duas semanas para a empreitada. As sessões de entrevistas foram gravadas nos estúdios da Universal, enquanto Hitchcock montava o filme “Os Pássaros”. Os dois conversavam durante oito, nove horas por dia. Dessas sessões, registradas por um engenheiro de som, resultaram mais de 50 horas de entrevistas. Truffaut levou quatro anos para decupar as fitas e transformá-las em livro. Lançou “Hitchcock/Truffaut” em 1967.

Nos anos seguintes, o livro conseguiu seu intento. Praticamente a fórceps, mudou a concepção que os especialistas em cinema tinham sobre Hitchcock. O mestre do suspense ganhou crescente interesse da crítica e acabou reconhecido como um dos grandes nomes do cinema em todos os tempos. O entrevistador, por sua vez, virou exemplo perene de um amor incansável e ardente pelos filmes. É provável que não exista, nem venha a existir, nenhum ser humano mais apaixonado por cinema do que Truffaut. Quem já assistiu a “A Noite Americana”, filme que lhe deu o Oscar, sabe disso.

“Hitchcock/Truffaut” está organizado de forma cronológica, em forma de perguntas e respostas, com capítulos que examinam minuciosamente cada um dos 53 filmes dirigidos por Hitchcock. Truffaut, é claro, não é um entrevistador comum; demonstra extraordinário conhecimento cinematográfico e uma enorme generosidade diante do seu inspirador. Assim, o livro é tanto uma aula completa de cinema quanto um testemunho de fé no ser humano.

O Kikito vai para…

•Agosto 20, 2008 • 1 Comentário

O 36º Festival de Cinema de Gramado anuncia os vencedores

Premiação 2008

Longa-Metragem Brasileiro:

Melhor filme de longa-metragem: NOME PROPRIO de Murilo Salles
Melhor Diretor: Domingos Oliveira pelo filme JUVENTUDE
Melhor Ator: Daniel de Oliveira pelo filme A FESTA DA MENINA MORTA
Melhor Atriz: Leandra Leal pelo filme NOME PROPRIO
Melhor Roteiro: Domingos Oliveira pelo filme JUVENTUDE
Melhor Fotografia: Lula Carvalho pelo filme A FESTA DA MENINA MORTA
Prêmio Especial do Júri: A Festa Damenina Morta de Matheus Nachtergaele
Premio de Qualidade Artística: para os Atores Aderbal Freire Filho,
Domingos Oliveira e Paulo Jose pelo filme JUVENTUDE
Melhor Diretor de Arte: Pedro Paulo de Souza pelo filme NOME PROPRIO
Melhor Música: Matheus Nachtergale pelo filme A FESTA DA MENINA MORTA
Melhor Montagem: Natara Ney pelo filme JUVENTUDE
Prêmio da Crítica: A Festa Da Menina Morta de Matheus Nachtergale
Melhor filme do Júri Popular: A Festa Da Menina Morta de Matheus Nachtergale

Longa-Metragem Estrangeiro:

Melhor Filme: COCHOCHI de Israel Cardenas e Laura Guzman
Melhor Diretor: Carlos Moreno pelo Filme PERRO COME PERRO
Melhor Ator: Marlon Moreno e Oscar Borda pelo filme PERRO COMOE PERRO
Melhor Atriz: Ana Carabajal pelo filme POR SUS PROPIOS OJOS
Melhor Roteiro: Liliana Paolinelli pelo filme “ POR SUS PROPIOS OJOS
Melhor Fotografia: Juan Carlos Gil pelo filme PERRO COME PERRO
Prêmio Especial do Júri: para POR SUS PROPIOS OJOS
Prêmio de Qualidade Artística: para COCHOCHI
Excelência de linguagem técnica: COCHOCHI de Israel Cardenas e Laura Guzman
Premio da Crítica: Perro come Perro de Carlos Moreno
Melhor Filme do Júri Popular: POR SUS PROPIOS OJOS de Liliana Paolinelli

CURTA METRAGEM

Melhor filme: Areia de Caetano Gotardo
Melhor Diretor: Jaime Lerner pelo filme Subsolo
Melhor Ator: Augusto Madeira pelos filmes Blackout e Noite de Domingo
Melhor Atriz: Malu Galli pelo filme Areia
Melhor Roteiro: César Cabral e Leandro Maciel por Dossiê Rebordosa
Melhor Fotografia: Heloisa Passos por Areia
Premio Especial do Júri: Booker Pittman de Rodrigo Grota
Melhor Diretor de Arte: José de Aguiar pelo filme Booker Pittman
Melhor Música: Booker Pittman pelo filme Booker Pittman
Melhor Montagem: César Cabral e Leandro Maciel pelo filme Dossiê Rê Bordosa
Prêmio da Crítica: : Booker Pittman de Rodrigo Grota

Mostra Gaúcha

Melhor Filme: Um dia como hoje de Eduardo Wannmacher
Melhor Direção: Diego Muller por Cortejo Negro
Melhor Roteiro: Eduardo Wannmacher por Um dia como hoje
Melhor Fotografia: Fernando Vanelli por Cortejo Negro
Melhor Direção de Arte: Rita Faustini por O Sete Trouxas
Melhor Música: Fausto Prado por Subsolo
Melhor Montagem: Fábio Lobanowsky por Um dia como hoje
Melhor Edição de Som: Cristiano Scherer por Rosário dos Navegantes
Melhor Produtor/ Produtor Executivo: Pablo Muller por Cortejo Negro
Melhor Ator: Júlio Andrade por Um dia como hoje
Melhor Atriz: Carolina Sudat por Um dia como hoje

COORDENAÇÃO ASSESSORIA DE IMPRENSA
36º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO

Ana Mota
+55 (51) 30132282 / 7814.1949 / 8124.1809/ 8109.9699
Av. Protásio Alves 3111/501
Petrópolis – Porto Alegre – RS
CEP 90.410.003

imprensa@festivaldegramado.net

Quadrinhista argentino Liniers fala de sua chegada ao Brasil

•Agosto 20, 2008 • Deixe um comentário

Por Eduardo Nasi

LiniersO trabalho do quadrinhista argentino Liniers está, enfim, desembarcando no Brasil. A edição mais recente da revista Graffiti 76% Quadrinhos traz uma amostra do criador. Enquanto isso, a editora Zarabatana prepara a primeira edição da coletânea de tiras Macanudo, que sai até o fim do ano.

Liniers vive um momento especial não só por aqui. A chegada ao Brasil acompanha uma onda de publicações pelo mundo, em países como a França, o Canadá e a Espanha. Na Argentina, seus desenhos estão expostos na mostra de inauguração Casa L’Inc, um novo espaço dedicado às boas HQs da Argentina.

Por e-mail, Liniers respondeu a uma breve entrevista do Universo HQ. É mais um aperitivo para a chegada de Macanudo – e de outros trabalhos – em território brasileiro.

Universo HQ: Antes de qualquer coisa, seja bem-vindo! Afinal, depois de várias tentativas com diversas editoras, finalmente seu trabalho sai no Brasil. Aliás, por que demorou tanto?

Liniers: Eu realmente não sei. Eu queria que meus cartuns estivessem por aí há um tempo. Minha esposa tem família aí, sua mãe é brasileira, então queria que eles vissem que eu trabalho como cartunista mesmo. Eles olham pra mim de um jeito suspeito.

UHQ: Você tem planos de vir ao Brasil? Que tal um Conejo de Viaje brasileiro?

Liniers: Na verdade, eu vou pro Rio mês que vem porque um amigo meu vai se casar lá. E eu adoro qualquer desculpa pra fazer festa no estilo brasileiro.

Arte de LiniersUHQ: Quem deveria ser o próximo quadrinhista argentino a lançar um álbum no Brasil?

Liniers: Acho que vocês deveriam dar uma olhada em Max Cachimba. Ou Minaverry… ou em Kioskerman.

UHQ: E de quais quadrinhistas brasileiros você gosta?

Liniers: Fábio Zimbres é um herói absoluto pra mim. E tem Allan Sieber, Iturrusgarai… Angeli!

UHQ: Qual a diferença entre as tirinhas Macanudo e seus outros trabalhos, como Conejo de Viaje e Cuadernos 1985-2005?

Liniers: Macanudo é meu trabalho diário. É o trabalho sério. Os outros livros vêm de um desenho simples e constante. Eu nunca imaginei que eles fossem acabar sendo livros. Eles são frescos e despretensiosos, e gosto deles por isso. Eles mostram o jeito que eu penso. Por isso, eles podem acabar saindo bem malucos.

Liniers

O Cinema sem Fronteiras de Wim Wenders

•Agosto 20, 2008 • Deixe um comentário

Wim Wenders esteve aqui. Na noite desta segunda-feira, 18 de agosto de 2008, alguns sortudos puderam conferir pessoalmente a uma inspirada palestra sobre cinema, dada pelo diretor alemão durante mais um seminário do Fronteiras do Pensamento.

Wenders, ao contrário de outros conferencistas, passou pela mesa de entrevistas coletivas com bom-humor e não deixando nem um ponto de interrogação sem resposta. O diretor de Paris, Texas, falou sobre o futuro do cinema, que ao contrário de Pete Greenaway, ele vê com muito otimismo. Em outras palavras, o cinema para Wenders assim como uma fênix está em renascença constante, mesmo depois de um tempo mergulhada em cinzas. Respondeu a uma pergunta sobre a miscelânea cultural que aparece em seus filmes falando sobre a questão das fronteiras culturais e geográficas dentro do cinema, o tema de sua palestra: Cinema além das Fronteiras. Lembrou que Fellini e Ozu nunca saíram de sua terra e nem por isso deixaram de ser grandes, e revelou a importância que ser um alemão nascido durante a Segunda Guerra teve em sua forma de fazer cinema.

Wenders falou também sobre cinema brasileiro, disse que Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe, ambos de Glauber Rocha, estão entre os filmes mais interessantes que ele já viu na vida, e lembrou que graças a nomes como Fernando Meirelles e Walter Salles o cinema nacional tem recebido projeção internacional. Para ele uma grande prova disso foi o fato de ter assistido Cinema, Aspirinas e Urubus em um cinema no bairro onde mora em Berlim. Disse ainda deixou de se importar com as críticas quando depois de seis filmes todas as resenhas continuavam a dizer a mesma coisa: “esse cineasta alemão faz filmes que tratam de medo, de alienação e dos Estados Unidos”. Wim Wenders, segundo ele mesmo, teve então de se conformar com o fato de que ele era Wim Wenders, uma alma alemã romântica.

Durante a sua palestra, mediada pelo cineasta gaúcho Carlos Gerbase, Wenders lembrou de sua infância, convidou o público a debater sobre um cinema além das fronteiras, e enquanto viajava sobre as várias estradas que já percorreu com a câmera e sem ela falou de suas inspirações: “Sempre me deparei com histórias que me interessavam enquanto estava viajando. Todos meus filmes foram instigados por meu interesse em descobrir um determinado lugar”. Os alunos de Cinema da PUC ainda tiveram a canja de uma conversa particular com um o mestre revelando segredos de bastidores de suas produções. Com o vento das Asas, sejam do Desejo, da Inspiração ou simplesmente desse tal de Cinema ainda levantando histórias, questões e lições de um dos maiores cineastas vivos, realmente não há dúvida. Sim, Wim Wenders esteve aqui.

A classe média entra em cena

•Agosto 20, 2008 • Deixe um comentário

O reconhecimento do papel político da classe média pode dar a grande contribuição para o século XXI resolver a polarização entre a burguesia e o proletariado, pelo menos como se apresentavam no Brasil. Nem a solução revolucionária, nem a variedade dos regimes democráticos convenceram a classe média a se decidir por um deles. O pequeno burguês hesita diante de qualquer opção. Por outro lado, a social-democracia não se encontrou ao longo do século XX e a via reformista também não. A classe média brasileira pensou ter chegado a sua oportunidade na solução de 1964, mas não demorou a se desiludir. Em 1968, depois de quatro anos, veio o golpe de misericórdia e se foi a ilusão. Mais tarde, a classe média ajudou a enterrar a ditadura, pelo que fez e pelo que deixou de fazer, e assumiu sua porção democrática.

No século XIX, as nações economicamente desenvolvidas prescindiram politicamente da classe media com solene desprezo. Mesmo as lúcidas observações de Eduard Bernstein, na passagem ao século XX, com base no salto de desenvolvimento dos Estados Unidos, foram capazes de chamar a atenção para o potencial democrático da classe média. O Brasil ainda não tinha classe média. E o maldito rótulo de reformista empurrou Bernstein para o acostamento do caminho, por falta de espaço. É certo que as reformas teriam poupado à democracia o alto custo político para o desenvolvimento das nações que ficaram para trás.

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O Eclipse

•Agosto 16, 2008 • 1 Comentário

Tudo tão rápido .
O sorriso discreto vai aumentando , aumentando , aumentando …
Aumenta tanto que dá nova forma à própria Lua .
Está se torna mais brilhante , mais bonita , mais completa – mais triste .

Lugares-comuns e Frases Feitas

•Agosto 16, 2008 • Deixe um comentário

Nós vamos moendo e moendo no moinho de um truísmo (lugar-comum; frases feitas), e nada sai a não ser o que foi introduzido. Mas no momento em que se deixa a tradição por uma ideia espontânea, então poesia, espírito, esperança, virtude, conhecimento e anedotas, tudo acode em nosso auxílio.

Ralph Waldo Emerson, em‘Ética Literária’

Uma beleza brutal

•Agosto 16, 2008 • Deixe um comentário

por Paulo Santos Lima , Revista Cinética .

Belo é uma palavra que abastece uma definição sobre o cinema de Paul Thomas Anderson, tão cheio de imagens bonitas, bem construídas e elaboradas. E brutalidade é o termo que melhor explica essas imagens, que dá uma melhor situação sobre a Imagem (com “i” maiúsculo)… imagem como identidade de um cinema, o de Paul Thomas Anderson (foto). Curioso é o jogo entre o belo e o brutal, em que se utiliza o primeiro para se chegar ao segundo, um fazer bonito de cinema para transmitir na tela a violência do mundo – algo que comparece já no primeiro longa do diretor, Jogada de Risco (Hard Eight, 1996). O que acontece entre este e o último longa do diretor, Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), é que essa “beleza”, esse fazer cinematográfico, torna-se mais eficiente para enunciar as questões, sobretudo as da aspereza do mundo, em que a violência toma a pauta das relações humanas, faz amálgama com afetividades e buscas.

Mas por que belo? E brutal? Belo e brutal são meras terminologias, mas bastante a ver com o cinema e com o mundo, ou seja, com o cinema e sua natureza de representação das coisas naturais, do meio. São nomes antagônicos, até, pois a violência e brutalidade remete à desarmonia (à não beleza). Mas no cinema, a violência, a brutalidade, a tirania, tudo isso pode se fazer belo, uma vez que a arte visual é pura forma, e o sangue é tinta vermelha, a espada é uma linha de reluz metálico e a tensão é a montagem ou o enquadramento em alta pulsação, granulação fotoquímica. Pois o amálgama de ambos está no cinema de P.T. Anderson, acontecendo justamente na realização do filme como trabalho estético. Assim, belo é menos o que está enquadrado (que, aliás, é bastante bonito pelo que ficou intuído como tal pela formatação clássica, a do clássico cinematográfico) e mais o ato de enquadrar. E sobre a brutalidade: se ela é um dado da diegese, ela é sobremaneira uma presença visual no filme, característica do jogo entre plano, contraplano, tempo de cena, atuação do elenco, uso da trilha incidental, colagem de outras mídias etc.

Ao que foi falado acima, como exemplo, há os longos planos em Embriagado de Amor, que mostram a extensão do apuro e aflição do atrapalhado Barry Egan (Adam Sandler) tentando achar o apartamento da enamorada; plano que o pega desde o fundo com a calma de esperar o ator se aproximar. Semelhante às várias tomadas de Sangue Negro mostrando a correria de Daniel Plainview para debelar o fogo infernal duma plataforma de perfuração; labareda esta que, toda símbolo, sinaliza o caos do empreendimento humano sobre a terra (solo árido que sangra petróleo, barra o alimento e engole vidas). Ou, para transmitir a crise íntima coletiva, a câmera que dá pequenos chicotes no corte para outra seqüência em Magnólia. Ou um simples plano final mostrando Sydney (Philip Baker Hall) escondendo com a manga do paletó o punho branco da camisa manchado de sangue, trazendo toda uma carga de violências que só conseguem ser escondidas, superadas até, mas jamais apagadas (como o plano tão epílogo quanto incerto de Magnólia, com a mocinha que quando pequenina era bolinada pelo pai, agora cortejada pelo romântico e escrupuloso pretendente, deixando um sorriso entre o amarelo e a esperança).

São marcas de um cinema bastante formalista, contemporâneo em sua consciência extrema do aparato e numa formação associada a uma história do cinema mais acessível e reproduzida, a das locadoras de VHS (e que ganhou força com a geração de cineastas indies surgida nos anos 90, cujo maior nome é Quentin Tarantino e o mais bem-sucedido, talvez, Steven Soderbergh). Assim, se a cinefilia de Paul Thomas importa pouco na análise de seus filmes, já que a criação hoje se faz na centelha original somada à emulação, as referências a Scorsese e Kubrick elucidam sobre o que o cinema de PTA fala. Se o descontrole era a pauta dos filmes de Stanley Kubrick e todas as coisas do mundo desmoronam ao redor dos personagens das fitas de Martin Scorsese, a brutalidade com a qual o homem tem de conviver na sua atuação junto ao mundo é o norte das histórias de P.T. Anderson.

Assim, a relação orgânica entre homem e espaço ser a grande conquista de PTA no seu cinema, da mesma forma que a relação entre o belo e o desairoso e entre a técnica e a arte, torna-se algo constitutivo. Mais que orgânico, organismo. Em Jogada de Risco, um jogador veterano ajuda um jovem ensinando-lhe a arte do carteado e das mesas de bilhar. Ele o apadrinha justamente por ter matado seu verdadeiro pai, ou seja, torna-se um novo “pai” para curar a ferida que ele próprio causou ao rapaz. Mas isso é tratado, aqui, ao nível da dramaturgia, da pura relação entre personagens, e por mais que PTA situe geograficamente essa novela, não há nenhuma relação entre personagens e mundo.

Em Boogie Nights, Paul Thomas amplifica a trama e a forma, fazendo sobretudo um exercício de cinefilia, ainda que contextualize melhor geográfica e cronologicamente sua história, construa uma “atmosfera”, a dos anos 70-80. Ao falar da produção pornográfica, sua vertida para o videotape, a cocaína fazendo presença, há o choque entre luz e sombras, entre liberdade criativa e violência – o universo de PTA. Muitas questões, e o malabarismo da trama aliado à reiteração cinefílica dos procedimentos cinematográficos, tudo isso cria um quebra-cabeças de peças interessantes, mas pouco encaixadas, um discurso mais empolado que mirado.

Magnólia vai mais a fundo nessa recriação de cinema, inclusive adotando o filme-painel de Robert Altman como estrada, e com uma montagem que alinhava os trajetos individuais dos inúmeros personagens ao longo das 3 h de projeção. A figura do narrador que inicia o filme mostrando eventos tão atrozes quanto patéticos que atingem as pessoas conduz o espectador a ler a tese do filme. Se o espaço diegético ainda se mantém apenas como “tablado” para os atores, o painel, mesmo que cheio de rachaduras, apresenta um “sistema”, um mundo que bem pode ser a representação deste nosso mundo.

Em Embriagado de Amor (2002), PTA consegue finalmente construir uma relação sanguínea entre personagem e espaço. A conjunção de luz, profundidade de campo e banda sonora que o diretor já utilizava a rodo nos outros dois filmes, ganha costura aqui, com música criando distanciamentos, inserção de cenas surrealistas, palheta visual multicolorida, eventos absurdos acontecendo na profundidade de campo atrás do personagem. O centro desta obra quase felliniana é um único personagem, Barry Egan, que não sabe direito quem é no mundo, mas ele é efetivamente “do mundo”, pois seus tropeços fazem consonância com as brutalidades do meio, que vão de acidentes estrambóticos a um disque-sexo que achaca seus clientes. Com uso mais efetivo dos recursos cinéticos, curiosamente é o filme mais estilizado de P.T. Anderson, com reflexos na lente, trilha que se faz notar como trilha pelas descoladas que dá naquilo que está musicando, espaços filmados com geometria total, claro e escuro quase pictóricos.

Pode-se dizer que Sangue Negro é o projeto de Embriagado de Amor levado ao cosmos, mas é mais outra coisa: a visão de mundo de um cineasta levada ao sideral cinematográfico, apresentada não mais como uma aulinha dada por narrador e imagens simbólicas, mas no amálgama total do ator-ícone, o espaço onde atua (a cena) e sentido coordenado pela decupagem. Se o mundo terreno e dos homens é efetivamente traiçoeiro e inesperado, que o filme comece, portanto, com o plano fixo de uma montanha no meio do nada e com uma trilha de dissonância releva. Uma imagem sem plaquinhas sinalizadoras, que tanto remete ao Greed, de Eric von Stroheim, como ao Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Spielberg, ou tanto a um western quanto a um thriller. Ou a uma epopéia, à vida que escorre seu sangue na terra. No buraco escuro, o homem de pedra, rústico, duro, brutal(izado) e empreendedor Daniel Plainview cavouca a terra. Mais tarde, em vez da câmera percorrer espaços à procura de pessoas, ela seguirá por aquelas vastas e poeirentas terras captadas em scope. As pessoas já estão nelas, fazem parte do quadro como o povo estivera em Deus e o Diabo na Terra do Sol.

Mais interessante é que o simbolismo presente nos outros longas de PTA (o punho da camisa manchado de sangue provando inerência violenta da vida em Jogada de Risco, a encenação do cinema vinculada à performance da vida real em Boogie Nights, a chuva de sapos falando sobre o indizível da vida em Magnólia e o piano que não é piano mas sim ponto de mudança em Embriagado de Amor) funde-se à imagem dos poços de perfuração: a máquina que tira o sangue da terra e mata os homens, máquina feia e bruta mas elegante em seu movimento perpétuo, máquina que rouba o sangue como o cinema rouba a imagem… enfim, uma série de alusões que não tiram dessas imagens aquilo que elas são dentro da diegese do filme: plataformas de perfuração para prospecção de petróleo.

Sangue Negro mostra a saga pessoal de Plainview, inclusive em paralelo ao seu duplo, o pastor Eli, que ludibria pelo ganho material. Daniel e Eli, ambos lutam contra a aridez do meio, sugando o resto dos ânimos à sua volta e domando aquele espaço na marra. Não à toa veremos Daniel Plainview atirando com um rifle contra mobílias espalhadas em seu casarão. Daniel, mesmo ricaço, bêbedo, curtido a malte escocês, dorme no chão. O chão, de madeira encerada ou de terra selvagem, é sua única certeza, e ainda assim este solo mostrará sempre o seu lado mais atroz, no petróleo que atira contra o que está sobre ele.

Não só pelas plataformas de extração, que bem fundem o brutal e o belo do mundo, como tratado pelo cinema de PTA, o que o diretor faz para resolver em imagens seu discurso é notável. A extensão do plano para dar a dimensão nefasta da vida, a trilha de Jonny Greenwood pontuando ora a dissonância do mundo, ora os nobres sentimentos de amor e melancolia escorridos ralo abaixo, o uso extraordinário do extracampo em um dos acidentes de trabalho para potencializar a quase inexorabilidade juntos aos meios de produção: estes são alguns dos recursos utilizados pelo cineasta e que, mais bem elaborados que antes, não saltam aos olhos, tão costurados que estão entre si. O mesmo para o que o que está sendo narrado, que começa simbólico nos primeiros 10 minutos para seguir por um caminho mais dramatúrgico, guerra entre dois homens, ou dois modos de usurpar o tesouro do mundo: da terra e dos homens. E meio a isso, há a recorrência aos temas caros a PTA, que vão além da violência sangrenta do mundo e passam pelas relações afetivas transtornadas por rancores ou assombros, laços familiares criados além da consangüinidade e devido à solidão e desespero.

Março de 2008

D de Desejo

•Agosto 16, 2008 • Deixe um comentário

Continuação do Abecedário …

- 27 de Novembro de 1994

Claire Parnet: D de Desejo. Tudo o que sempre quiseram saber sobre o desejo. Primeira lição: Só se pode desejar em um conjunto. Então, sempre se deseja um todo. Vamos passar a D. Para D, preciso de meus papéis, pois vou ler o que há no Petit Larousse Illustré, em “Deleuze”, que também se escreve com D. Lê-se: “Deleuze, Gilles, filósofo francês, nascido em Paris, em 1925″.

Gilles Deleuze: Talvez hoje esteja no Larousse.

CP: Hoje, estamos em 1988.

GD: Eles mudam todo ano.

CP: “Com Félix Guattari, ele mostra a importância do desejo e seu aspecto revolucionário frente a toda instituição, até mesmo psicanalítica”. E indicam a obra que demonstra tudo isso: O anti-Édipo, em 1972. Como você é, aos olhos de todos, o filósofo do desejo, eu gostaria que falássemos do desejo. O que era o desejo? Vamos colocar a questão do modo mais simples: quando O anti-Édipo…

GD: Não era o que se pensou, em todo caso. Estou certo disso, mesmo naquele momento, ou seja, as pessoas mais encantadoras que eram… foi uma grande ambigüidade, um grande mal-entendido, um pequeno mal-entendido. Queríamos dizer uma coisa bem simples. Tínhamos uma grande ambição, a saber, que até esse livro, quando se faz um livro é porque se pretende dizer algo novo. Achávamos que as pessoas antes de nós não tinham entendido bem o que era o desejo, ou seja, fazíamos nossa tarefa de filósofo, pretendíamos propor um novo conceito de desejo. As pessoas, quando não fazem filosofia, não devem crer que é um conceito muito abstrato, ao contrário, ele remete a coisas bem simples, concretas. Veremos isso. Não há conceito filosófico que não remeta a determinações não filosóficas, é simples, é bem concreto. Queríamos dizer a coisa mais simples do mundo: que até agora vocês falaram abstratamente do desejo, pois extraem um objeto que é, supostamente, objeto de seu desejo. Então podem dizer: desejo uma mulher, desejo partir, viajar, desejo isso e aquilo. E nós dizíamos algo realmente simples: vocês nunca desejam alguém ou algo, desejam sempre um conjunto. Não é complicado. Nossa questão era: qual é a natureza das relações entre elementos para que haja desejo, para que eles se tornem desejáveis?

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O que Kafka fazia no banheiro

•Agosto 16, 2008 • Deixe um comentário

Por Sérgio Rodrigues

É mais enrolada do que parece a última polêmica “literária” européia, que põe de um lado uma tropa de críticos de língua alemã e do outro, sozinho, o acadêmico e escritor inglês James Hawes, que publicou ontem a biografia “Excavating Kafka”, sobre o escritor tcheco (aqui, em inglês, acesso livre).

Sem ler o livro é impossível opinar sobre quem tem razão, se é que alguém tem, mas o resumo do arranca-rabo, em três tempos, é o seguinte:

1. Hawes dá destaque ao fato de Kafka ter sido assinante de revistas pornográficas chiques, algumas, segundo ele, de arrepiar.

2. Os kafkólogos de língua alemã se unem para acusar Hawes de puritanismo, marquetagem e até, de forma que parece um tanto obscura, anti-semitismo. Alegam que as revistas eram adultas, mas traziam imagens estilizadas, “artísticas” e não pornográficas.

3. Hawes contra-ataca falando em “conspiração de censura” e dizendo que seu foco não é bem o gosto de Kafka por pornografia, mas o fato de que gerações de críticos e biógrafos, tendo examinado com lupa cada bilhete banal jamais escrito pelo gênio de Praga na tentativa de decifrar sua personalidade esquisitona, tenha feito silêncio sobre um dado tão suculento.

Hmm. Em primeiro lugar, mesmo admitindo em tese que informações biográficas possam, sim, jogar alguma luz sobre a obra de escritores, especialmente de escritores tão originais quanto Kafka, confesso que minha primeira reação diante desses “escavadores” de segredos cabeludos é um bocejo de tédio.

Em segundo lugar vem a surpresa: então alguém se espanta de que Franz, com aquela cara, fosse chegado a um XXX? Em que mundo vivem essas pessoas?

O item 3 parece ser o que faz mais sentido nessa polêmica. Infelizmente, Hawes enfraquece sua própria posição ao dizer, sobre as revistas de Kafka, que “algumas coisas são bem pesadas, como animais cometendo fellatio e mulher-com-mulher”. Ao igualar bestialismo e homossexualismo, o cara deixa a impressão de que é mesmo um puritano, afinal.